Derrota do Brasil: como ensinar os filhos a lidarem com a frustração?

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Foto - Albari Rosa

O jogo contra a Alemanha na última terça-feira (08/07) tirou o Brasil da Copa do Mundo e adiou o nosso sonho de ser hexa e trouxe muita frustração. Se para os adultos já é difícil aceitar e lidar com isso, para as crianças é mais complicado ainda. Mas você pode contornar a situação e mostrar a elas algumas lições. "A frustração ensina. Ela mostra que perder faz parte e que não podemos ter tudo que queremos. Sentir-se triste e chorar é normal", diz a psicóloga Ana Cássia Maturano.

E foi isso que aconteceu com Enzo, 7 anos. "Quando a Alemanha fez o primeiro gol, Enzo já veio para o meu lado. Como foi tudo muito rápido, no quarto gol ele já amuou. No quinto gol, ele já começou o chororô. Queria ir embora para casa, nem queria terminar de assistir ao jogo. Ele chorou compulsivamente por um tempo", conta a jornalista Luciana Ponteli, 35, mãe do garoto.

Os especialistas acreditam que os sentimentos de frustração são fundamentais para o crescimento saudável das crianças. Quanto mais cedo os pequenos aprenderem a lidar com isso, menos forçada e dolorosa será a adaptação ao problema no futuro. Você pode até poupá-los de ver sua seleção perdendo um jogo, mas não conseguirá fazer seus filhos escaparem de uma decepção amorosa, demissão ao até mesmo não passar no vestibular. Por mais que doa aos pais verem seus filhos sofrendo, eles não devem, de forma alguma, banir essas experiências atendendo a todos os seus desejos.

O fracasso do Brasil é uma boa oportunidade a lidar com a perda. "Assim que o choro passou, eu conversei com ele e expliquei que aquilo era apenas um jogo - que nós, meros mortais, não ganhávamos nada com aquilo, apenas a alegria de ver nosso Brasil jogando", relembra Luciana. A mãe também revela que, depois do filho entender a perda da seleção, se posicionou a torcer muito pelo Brasil no sábado (13/07), na disputa pelo terceiro lugar. E essa compreensão é super importante para a criança.

"É importante que elas sejam orientadas de que desta vez não foi possível vencer, e que as derrotas também fazem parte do esporte, assim como da vida", diz Quézia Bombonatto, da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Para Ana Cássia, é bastante importante mostrar à criança que haverá uma próxima vez e que teremos novas oportunidades. "Não há mal em brincar com os filhos e tentar animá-los, explicando a situação e deixando que eles lidem com seus próprios sentimentos", diz ela. "Mas é aconselhável evitar medidas compensatórias, como dar presentes ou comprar coisas para contrabalancear", indica.


Por Helena Dias e Caroline Sarmento

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