Dente de leite pode ajudar em pesquisas de células-tronco

Célulastronco extraídas do dente de lei

Quem na infância nunca ouviu dos pais algumas historinhas relacionadas à queda dos dentes de leite? Por volta dos cinco anos, os primeiros dentinhos começam a amolecer e caem, iniciando a fase das "janelinhas". Esse processo pode assustar um pouco as crianças e, por isso, os pais contam diversas crenças em uma tentativa de amenizar o medo dos pequenos.

Uma das histórias mais famosas é a da fada do dente. A criança precisava colocar o dentinho embaixo do travesseiro e quando a fadinha a visitasse na madrugada, ela retiraria o mesmo e deixaria alguns trocados. Outra crendice dita pelos pais era de jogar o dente em cima do telhado, de costas e sem olhar para trás para não dar azar e acelerar o crescimento do outro.

Todas essas histórias são encantadoras, mas por que não usar os dentes de leite para uma boa causa? Pensando em proporcionar aos dentinhos outras finalidades, o Centro de Estudos do Genoma Humano (CEGH), ligado ao Instituto de Biociências da USP, iniciou pesquisas nos dentes de leite para retirar as células-tronco.

"Retiramos as células-tronco da polpa do dente. É aquele pedacinho de carne que está grudado no dente quando é extraído. Assim que a polpa é removida, enzimas são aplicadas para retirar as células da mesma", explicou Danielle de Paula Moreira, especialista em genética do CEGH.

O grande interesse nisso é de reconstruir neurônios para tratamento de autismo através dessas células. De acordo com a especialista, é possível encontrar as células-tronco nos dentes que não sejam de leite, porém é um pouco mais difícil, por conta da perda de material na extração no dentista. Em alguns casos, o dente se quebra ou é dente do siso e não possui tanta polpa para retirar.

"Por enquanto, ainda não utilizamos para terapia celular. Fazemos pesquisas em autistas para comparar os genes deles com indivíduos normais e a de indivíduos normais com os de autistas. Existe um subgrupo que usa as células para fazer regeneração óssea e estudos em camundongos. Esse é apenas um teste que ainda não foi aplicado em seres humanos", disse ela.

Danielle explicou que para fazer a doação dos dentes, o processo é bem fácil: "Quem tem interesse em doar e localiza-se na região de São Paulo, pode ligar para o instituto que pedimos para um motoboy retirar no local. Para as pessoas que não moram aqui, enviamos o material de autorização da pesquisa pelo correio. A especialista ressaltou que antes é enviado um tubo para que a pessoa possa guardar o dente. "Esse tubo deve ser colocado na geladeira até o período em que houver a queda do dente. O doador deve guardar o dente no tubinho sem lavar e encaminhá-lo para nós".

Assim que as células-tronco são retiradas do dente, os dentes podem ser devolvidos ao doador. "Alguns pais gostam de guardar a dentição dos filhos, por isso como os dentes utilizados nas pesquisas são descartáveis, quando solicitado pela família, os enviamos pelo correio ou motoboy", ressaltou Danielle. As doações podem ser feitas através do site da instituição. E para esclarecer dúvidas é só entrar em contato através de e-mail dentinhosleite@gmail.com.


Pequenas joias

Recentemente a designer de joias Kim Novel desenvolveu jóias com os dentes de leite, entre elas pingentes e brincos. Os dentinhos enviados à designer servem como molde para peças que são confeccionadas em ouro ou prata, de acordo com o desejo do cliente, e podem receber uma pedra preciosa ou a inicial de um nome gravado. É outra opção para os pais que desejam guardar os dentes das crianças por um longo período, quem dirá até para outras gerações.

Por Stefane Braga (MBPress)

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