De mãe pra filha

Karla Zimmermann e Silva e Gabriel

Karla Zimmermann e Silva e Gabriel / foto Acervo Pessoal

Você sempre reclamou da maneira como sua mãe a tratava. Achava o cúmulo aquela pegação no pé sobre notas, roupas jogadas pelo chão, frio, remédio, capa de chuva. Mas quando mudou de time e passou de filha para mãe, percebeu que a história se repete.

E é aí que você morde a língua e precisa admitir que seus pais fizeram um ótimo trabalho - e deram a base necessária para que você repetisse o modelo aprendido em casa. Karla Zimmermann e Silva, 30 anos, é mãe de Gabriel, de 10. Desde que o menino nasceu, ela vem descobrindo que a maneira como foi educada se reflete de forma cristalina no jeitinho que cria o filho.

A lição que se repete, principalmente, é a boa aplicação do “não”. “Outra coisa que também aprendi a admirar foi a insistência para que eu e meu irmão levássemos os estudos a sério. Mas responsabilidade é muito difícil e só aprendemos a dar valor quando crescemos”, admite.

Agora, é isso que procura passar para o filho: a importância do estudo e das responsabilidades desde pequeno. Dos pais, veio a lição de que precisa ser ainda mais enérgica. “Se eu tivesse recebido mais ‘nãos’ na minha vida, teria aprendido mais cedo valores essenciais”.

Mas ela assume sem vergonha alguma que tem os pais como modelo em várias situações. “Eles fizeram tudo que podiam para nos dar o melhor, ofereceram todas as oportunidades, e é o que eu procuro fazer também”. Karla diz que da mesma forma como os pais abriram mão de muita coisa, se dedica o máximo que pode. “Sei que não faço tudo certo, mas estou sempre procurando acertar!”

Pensando também na forma como foi criada, ela tenta todos os dias fazer o filhote entender a diferença entre necessidade e desejo. “Faço isso para que ele possa dar valor às coisas realmente necessárias e ‘suar’ para conseguir o que realmente quer”.

Outra que apenas depois de crescida aprendeu que maternidade não é brincadeira foi Carla Maurer Rosa Santini, também 30. Ela acaba de ser mãe pela segunda vez, do pequeno Arthur, e reconhece que vê muito dos pais na maneira como age e cria os filhos. “Fui uma filha rebelde, principalmente na adolescência. Criticava muito meus pais e quase sempre discordava deles. Hoje percebo que quando não sei como agir diante de alguma situação, acabo agindo da maneira que meus pais agiam comigo, afinal, é o comportamento que tenho para me basear”, conta.

Mãe também do pré-adolescente Lucas, 12, ela reconhece a importância das brigas e discussões e entende muito melhor o que passa na cabeça dos pais. “Hoje até procuro imitá-los em vários aspectos, principalmente utilizando o “não” como resposta e mostrando que limites são sim muito importantes”. Repetir os modelos mostra, no mínimo, que o que era motivo de discórdia no passado, agora serve de (bom) exemplo.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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