Cuidando do lado emocional das crianças

Cuidando do lado emocional das crianças

Pesquisas mostram que bebês sentem emoções ainda no útero da mãe. Segundo Freud, tudo o que vemos e ouvimos até os 6 anos de idade, na chamada primeira infância, ainda que não nos lembremos, fica em nosso inconsciente. Brigas na família e o medo de perder o amor dos pais para o irmãozinho que irá nascer os são exemplos mais clássicos.

A psicanalista Renate Meyer Sanches lançou o livro "Conta de novo, mãe - Histórias que ajudam a crescer" (Escuta, 2010), onde trata um pouco disso. "O livro é produto da minha experiência como psicanalista, educadora, mãe e avó. Descobri o quanto estas histórias criadas por mim ajudaram crianças a lidar com situações difíceis. Meu desejo foi compartilhar esta experiência", afirma.

No livro, Renate descreve os principais fatos da vida da criança que poderá resultar em traumas. "Há situações que fazem parte do desenvolvimento de todas as crianças que podem ou não ser traumáticas, dependendo de como o ambiente lida com elas", diz. "Uma mudança de cidade, a troca de uma babá, lutos, separações, nascimento de um irmão, adoção", exemplifica.

É importante para a criança perceber que os sentimentos dela são comuns a outras pessoas. Contar histórias em que elas possam reconhecer os seus sentimentos pode ajudá-las a lidar com a situação. "As histórias podem ser um recurso para dar nome a estes sentimentos, compartilhá-los e oferecer uma possibilidade de resolução, assim como criar uma situação semelhante à que a criança está vivendo, incluindo os sentimentos supostos e dando um final feliz", explica a psicanalista.

A criança, por si só, tem uma imaginação muito rica. É importante que, com a ajuda dos adultos, trabalhe este lado. "Os educadores devem dar o maior espaço possível para que a criança desenvolva a imaginação que já é dela. Não se trata exatamente de incentivar, mas de criar condições que tornem a imaginação possível". A psicanalista assegura que através de histórias e canções as crianças podem expor a sua agressividade natural. Esta agressividade é algo presente em todos os seres humanos, responsável por nossos impulsos em busca de sobrevivência. "Proibi-la é fechar a válvula de escape, o que pode ser perigoso", adverte.

A autora explica que o Lobo Mau, personagem da história "Chapeuzinho Vermelho", simboliza a agressividade oral das crianças. Dar um nome a esta agressividade, além de contar uma história sobre ela é assegurar que este sentimento será dominado. Na história, o Lobo Mau morre ou é preso pelo caçador.

Assim como os fatos do cotidiano ficam gravados na memória das crianças, as histórias ouvidas também permanecem. "As histórias que ficam são aquelas que vieram de encontro às questões que a criança vivia num determinado momento, e que podem deixar resquícios pela vida afora. Lembrar delas é usar um recurso que já foi internalizado" explica psicanalista.

Cuidando do lado emocional das crianças

Foto: divulgação


Ainda sobre o livro, a autora diz que a ideia inicial era escrever histórias infantis. Porém, ao notar que as mães ficavam assombradas com o enredo, muitas achavam as histórias muito assustadoras para as crianças. Então, ela decidiu escrever o livro para as mães. "Assim, o livro dá uma visão geral deste desenvolvimento e de algumas situações mais específicas, como limites, sexualidade, ciúme, luto, separação e adoção e sugere formas de inventar histórias para ajudar a criança a lidar com as mesmas".

Por Bianca de Souza (MBPress)

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