Criando pequenos burgueses?

consumo e crianças

Você lembra a última vez em que viu um grupo de crianças brincando na rua? Ou uma menina pulando amarelinha e um menino rodando peão? Mais do que nostalgia e saudosismo, a falta dessas práticas lembra algo que se perdeu no tempo e no espaço. Criança brincando como criança é cena rara!

Possivelmente você já presenciou a cena clássica de uma criança hipnotizada pelo computador - e mesmo assim discutindo com os pais - pedindo aquele carrinho importado ou aquela Barbie com vestido de luxo. Alguns ainda ameaçam pegar as coisinhas e ir embora de casa, em busca de um palácio encantado, cheio de Ferraris e roupas de marcas, caso não ganhem o tal presente.

Muitos desses brinquedos remetem a uma vida de dinheiro fácil e fama. As famosas Barbies são o maior exemplo disso. Tem carro rosa automático, casa com elevador e banheira, além de cachorrinhos que vivem no cabeleireiro. Haja dinheiro para manter esse vidão!

Mas parece mesmo que o consumismo desenfreado e a inversão de valores atingiram a menor idade. A coordenadora educacional do grupo Expoente, de Curitiba, PR, Flávia Rubick, explica que a propaganda influência muito nas escolhas de brinquedos das crianças. “Atualmente, são oferecidas, por meio da mídia e de outros veículos de comunicação, inúmeras opções, as quais despertam grande interesse e podem gerar um consumo excessivo”.

Infância sem brinquedo é como Natal sem Papai Noel, Páscoa sem chocolate, praia sem sol e calor. “São eles os objetos de interação que fazem parte do desenvolvimento da criança. O contato saudável com os brinquedos pode resultar em crescimento a partir de exercícios e estímulos prazerosos”. Mas os brinquedos também podem despertar interesses que não condizem com a faixa etária da criança, além de distorcer e confundir valores e influenciar, de maneira incorreta, a formação do caráter do indivíduo.

É fato que os avanços da tecnologia proporcionam outras maneiras de brincar - não adianta virar as costas e fingir que os videogames, os computadores e os celulares não existem. Mas, cabe aos pais se posicionar diante das exigências dos filhos e discernir sobre o que é adequado ou não para uma criança seduzida pelas facetas do consumo.

Segundo Flávia, é tarefa dos adultos a mediação e a imposição de limites. “Eles precisam entender a importância que a brincadeira e o brinquedo têm na vida do seu filho para que, assim, busquem as melhores alternativas”. Ela completa dizendo que os pais não devem ceder às chantagens, priorizando sim o diálogo e fazendo com que a criança entenda que aquele não é o momento propício para determinado brinquedo. Entre instigar a ambição ou contrariar o desejo dos pequenos, prefira a preservação da infância.

Por Cínthya Dávila (MBPress)

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