Crianças com visual sem gênero - dicas para os pais

Muitos pais ainda tem dúvidas sobre se é indicado ou não dar esta liberdade para o filho se vestir e se arrumar como quer. Veja aqui orientações importantes!
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Shiloh, filha de Angelina se arruma como quer. Se fossem seus filhos, você deixaria Foto: Veja

A atriz Priscila Fantin é uma mãe moderna e exemplar. recentemente, ela surpreendeu a todos quando revelou que dá liberdade ao seu filho Romeo, de quase cinco anos de se vestir e se arrumar como preferir. Com longos cabelos loiros, Romeo é mais um exemplo de que as crianças não se importam com os rótulos que a sociedade reproduz, e sim com o que traz felicidade.


"O cabelo dele está enorme! E ele continua sem querer cortar. Outro dia, conversei com ele para entender se ele sofria, porque muita gente pergunta se ele é uma menina. Queria saber se ele ficava chateado. Ele disse que sim. Aí, perguntei se ele preferia cortar o cabelo para não acharem isso ou tentar entender que algumas pessoas são bobas. E ele me disse: 'É, mãe, são pessoas bobas. Não quero cortar o cabelo'. A sociedade é assim, não tem jeito. Se ele quiser, corto", disse Priscila, ao GShow.

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Priscila Fantin fala sobre a liberdade que deu ao seu filho Romeo: "Se ele quiser, corto", diz.

Já o casal de atores Brad Pitt e Angelina Jolie também dão liberdade de escolha para seus filhos. Tanto que Shiloh, de nove anos aposta em um estilo mais moleca.

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Shiloh, filha de Brad Pitt e Angelina Jolie.

Muitos pais ainda tem dúvidas sobre se é indicado ou não dar esta liberdade. Será que isso afeta a orientação sexual da criança? E a identidade de gênero? Para esclarecer esses e outros pontos, o VilaMulher conversou com a Psicóloga Thaiana Brotto dos Psicologos Berrini. A profissional explica que é possível, sim, deixar a criança escolher o que a faz bem sem grandes problemas. Confira perguntas frequentes sobre o assunto:

Usar roupas do sexo oposto ou sem gênero definido influencia na sexualidade da criança?

Não, a utilização de roupas do sexo oposto ou sem gênero não influencia na sexualidade da criança. No entanto, é sempre importante que os pais ou responsáveis façam isso com o consentimento da criança ou a pedido da criança, sempre explicando que outras pessoas podem comentar ou olhar, mas que isso não significa absolutamente nada e a criança poderá, sim, usar as roupas que quiser. Conversando abertamente com a criança sobre possíveis olhares das pessoas na rua é importante para que esta criança não se sinta mal ou rejeitado(a) nos ambientes que estiver.

Meninos de cabelo longo ou meninas de cabelo curto são homossexuais?

Jamais! A escolha do corte de cabelo da criança não interfere, de forma alguma, na sexualidade da mesma. Inclusive é bastante subjetivo, já que podemos ter meninos de cabelos curtos e meninas de cabelos longos que, ainda assim, são homossexuais. 

Como conversar sobre o bullying com os filhos que gostam de se expressar desta maneira?

A conversa é primordial para orientar e informar os filhos, e isso deve ser feito desde que a criança começa a desenvolver o entendimento sobre as coisas. Explicar que algumas pessoas podem não achar bonito aquele corte de cabelo ou aquela roupa, mas que isso é uma questão da pessoa e que tudo bem, o que realmente importa é quando nós nos sentimos bem com a roupa ou com a maneira que queremos deixar nosso cabelo. 

Quando o adulto tem esse tipo de conversa com a criança a prepara para possíveis brincadeiras dos coleguinhas na escola, o que de certo modo ajudará com que a criança não sofra, pois já saberá que aquilo não interfere em nada se estiver se sentindo bem consigo mesmo.

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A marca de roupas "Baby Teith" já percebeu essa mudança de comportamento dos pais e filhos. Eles apostam em roupas sem gênero para crianças.

Como explicar para as crianças que não são todos que entendem as escolhas?

Uma conversa franca é sempre o mais recomendado. Sem rodeios ou exemplos difíceis para que a criança possa entender a mensagem. Explicando que cada pessoa tem um gosto diferente: “Veja só, o João gosta de maçã, enquanto a Maria gosta de melancia e assim também funciona na hora de usar uma roupa ou cortar o cabelo...”.

Quando a criança passa a ter esse entendimento é hora de dizer que algumas pessoas podem achar que aquela roupa, sapato ou corte de cabelo, é feio. E que, se alguém disser isso, é um direito da pessoa não gostar, mas que isso não mudará em nada o fato da criança gostar daquilo e que ela poderá continuar se vestindo assim sempre.

Como explicar para as pessoas que seu filho se veste como quiser sem parecer uma mãe/ pai relapso?

É importante ressaltar que os pais ou responsáveis não tem a obrigação de ficarem se desgastando explicando o porquê dessas ou de outras decisões. Mas, se for necessário explicar, é importante sempre focar no bem-estar da criança, na alegria e leveza, por exemplo: “Veja como ele se sente confortável usando essa roupa, é isso que importa e é assim que quero vê-lo (a), feliz.” Sem explicações extensas ou profundas, pois não se faz necessário.

Focar na qualidade de vida da criança é sempre a melhor resposta!

Por Thamirys Teixeira

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