Crianças podem ser prejudicadas pelo excesso de ansiedade

Crianças com excesso de ansiedade

Existem certas doenças que consideramos típicas de adultos, como a ansiedade, por exemplo. Entretanto, esse problema tem se tornado cada vez mais frequente entre as crianças. O que os pais intitulam como manha ou birra pode ser algo bem mais sério e merece uma boa dose de atenção.

Os dados sobre o tema são alarmantes: segundo um levantamento realizado pelo Centro de Atendimento e Pesquisa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (Capia), da Santa Casa do Rio de Janeiro, o número de crianças brasileiras ansiosas aumentou 60% nos últimos dez anos. E no mundo a ansiedade acomete de 9% a 15% da população entre cinco e 16 anos, de acordo com a Associação Americana de Transtornos de Ansiedade.

Dr. Saul Cypel, neuropediatra da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal explica que os sintomas de ansiedade são diferentes de acordo com a idade da criança. Nos lactentes (bebês entre 28 dias de vida e dois anos) são observados choros frequentes e dificuldades no sono e alimentares. Já a criança maior, entre dois e três anos, apresenta inquietude, solicitação constante do adulto, irritabilidade, dificuldades alimentares, não atendimento às regras e birra.

"Em crianças entre cinco e seis anos verificamos dispersão, troca constante de atividades, inquietude, desrespeito à privacidade do outro, insatisfação e insegurança. E nos escolares, acima de sete anos, observamos dificuldades de atenção, principalmente para tarefas de rotina e escolares, inquietude, rapidez exagerada e dificuldades de socialização", explica.

A ansiedade, conforme explica o especialista, não é de todo mal. Em níveis moderados é saudável e mobiliza o indivíduo nas suas atividades diárias. "Ela se torna exagerada quando a criança, desde os seus primeiros anos de vida, não é incentivada a seguir regras, a atender aos limites do que pode ou não, a entender que nem todos os seus desejos podem ser satisfeitos, fazendo com que ela se torne inábil para lidar com as frustrações", comenta Dr. Cypel.

Nessa hora, os pais se tornam figuras fundamentais, pois são os responsáveis por moldar a criança. "Eles devem tratar de entender as razões dos comportamentos inconvenientes de seus filhos, tentando adequá-los tanto nas relações familiares como na convivência social fora de casa. Desqualificar a criança simplesmente, com adjetivos ofensivos (preguiçoso, vagabundo, relaxado e outros), só vai agrava a situação", alerta o neuropediatra.

O especialista ressalta que a convivência com a insegurança do filho e o manejo com os desejos e a frustração são situações com as quais os pais estarão lidando diariamente. E é justamente em momentos como esses que eles devem oferecer aos seus filhos a oportunidade de aprender com tudo isso para que no futuro tenham condições de conviver e resolver situações de maior complexidade.


"Sem o amparo dos pais, essas crianças vão levar para a vida adulta problemas de grau moderado ou até severo de insatisfação intensa, impaciência, dificuldade na escuta e disposição para o outro, agressividade e outras inadequações que certamente agregarão outras situações traumáticas, gerando quadros psicopatológicos diversos", diz. Quando isso acontecer, o adulto deverá procurar serviços terapêuticos, como psiquiatra, psicanalista e psicólogo.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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