Crianças na TV - o que aprender com suas atitudes

Crianças na TV  o que aprender com suas atitudes

Foto João Miguel Júnior/ TV/Globo

Os pequenos estão cada vez mais na telinha. Talvez o maior exemplo disso seja a apresentadora mirim Maísa, que, aos quatro anos, já estava no Programa Raul Gil. Depois de chorar em pleno programa ao vivo - na época, ela tinha sete anos - órgãos públicos bateram de frente com o SBT para tirá-la do ar. Hoje, próxima dos nove anos, ela permanece no programa Sábado Animado mostrando a mesma desenvoltura.

Fora do Brasil, uma espécie de reality show infantil vem causando polêmica. O canal GNT transmitiu recentemente o programa americano "Meu Filho é uma Estrela", em que dez crianças e seus responsáveis - mães, na maioria - passam oito semanas em uma casa fazendo testes. Assim como no Big Brother, elas também são eliminados por conta das suas atitudes. Além de ganhar o prêmio em dinheiro, a criança vencedora recebe um contrato de um ano com um agente de Hollywood. A questão não é só em torno da exposição dos pequenos até pelo menos 11 anos. Em alguns episódios, há o excesso de cobrança dos pais e a atitude de mostrar muito cedo o lado cruel das competições e disputas, tudo pelo dinheiro e pela fama.

Programas como esse também levantam a discussão das crianças se tornarem adultos muito antes do que elas deveriam. Para a psicóloga Regina Elia, os pais participantes deste reality educam seus filhos para que eles sejam o que não conseguiram ser, e, na maioria das vezes, isso vai contra a própria personalidade da criança.

E na intenção de agradar aos pais, muitas delas aceitam isso sem relutar. "Elas acabam fazendo de tudo para agradá-los, ainda mais quando se trata de uma competição de quem é a "mais bela" ou a "melhor", e correm o risco de passar por uma pressão emocional e estresse violento". Segundo a psicóloga, no futuro essa pode ser a causa para algumas doenças físicas e emocionais. "A mente de uma criança não está pronta para isso. Temos que pensar também como ela pode lidar com as frustrações. Se não as elaborar bem, temos ali na frente e na "esquina de casa" drogas, álcool, suicídio", alerta.

O mau exemplo não está apenas em programas como esse, aqui no Brasil é bastante discutida a atuação da personagem de Klara Castanho, na novela Viver a Vida. Na ficção - vale lembrar que muitas crianças não conseguem discernir o que é realidade e novela -, Rafaela é uma menina sem limites, que fala o que quer. "A personagem Rafaela está ensinando às outras crianças que quem "manda" na casa é ela! Na minha opinião, esta personagem não acrescenta nada de bom, pois ela se revela uma menina desestruturada", aponta a psicóloga.

Regina também questiona como a personagem está inserida no enredo da novela. "Alguns adultos que trabalham na novela a tratam como se ela fosse uma menina prodígio (maravilhosa, admirável ou extraordinária). Ela não tem nada de maravilhoso, e sim de mal educada, o que a torna uma criança atrevida e inconveniente", aponta. Para Regina, a personagem também parece não ter uma vida infantil "brinca pouco e só vive no mundo dos adultos". E para as crianças que assistem às cenas, a tendência é que elas repitam o mesmo comportamento, pois como se sabe, quando pequenos nós aprendemos muito por imitação.

Sobre impor limites nas crianças, assunto bastante difícil para muitos pais, a psicóloga esclarece que tem a função de educar os filhos mediante aos valores da sociedade em que estão inseridos, sendo valores morais são aqueles que selecionamos para nós como verdadeiros. "Ensino uma criança a não roubar, porque ela pode ir presa", exemplifica. Na mesma situação, quando se trata de valores éticos, os pais devem mostrar que o objeto não deve ser roubado do colega porque não lhe pertence.


Conforme a psicóloga, uma ótima forma de ensinar isso aos filhos é aproveitar situações vividas por Rafaela e outros personagens para mostrar, por exemplo, que o comportamento da personagem de desrespeitar a mãe não é algo certo. "É preciso que os pais entendam que devem sempre proteger seus filhos daquilo que lhes possa fazer mal. Se a criança comer chocolate antes de dormir e não quer escovar os dentes, devo forçá-la com delicadeza, porque esses dentes ela os manterá para o resto da vida. Não só os pais, como também os educadores, conseguem olhar para o futuro de seus filhos, seja na saúde física ou emocional, prevenindo problemas, e trabalhando no presente com muita paciência e delicadeza, porém com muita firmeza", finaliza.

Por Juliana Lopes

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