Crianças e atividade física

Crianças e atividade física

Que a atividade física é muito importante para todos nós não é novidade. E isso não é diferente para as crianças, mas nessa época da vida é necessário que as escolhas sejam feitas de maneira diferente.

O ortopedista Miguel Akkari, chefe do grupo de ortopedia e traumatologia pediátrica da Santa Casa de São Paulo explica que hoje em dia em uma sociedade em que existem tantas crianças obesas e com doenças como colesterol com menos de sete anos, o esporte se torna ainda mais importante. Ele explica que uma boa época para iniciar é a partir dos dois ou três anos, antes disso a maioria das atividades, feita normalmente na piscina, tem um caráter diferente, preza pela integração entre pais e filhos.

"Para as crianças gordinhas é a chance de perder calorias, já para as hiperativas ou com muita energia é a chance de gastar e cansar a criança".

Prova que os exercícios são muito indicados para as crianças agitadas e hiperativas apareceu em um estudo realizado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) divulgado em março. A pesquisa mostrou que a realização de atividades físicas intensas pode melhorar o nível de concentração de crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Logo após praticarem esportes foi verificado nas crianças e adolescentes uma melhora relevante da atenção. Ainda de acordo com os responsáveis pela pesquisa, os esportes mais indicados são futebol, artes marciais e outros esportes coletivos.

Na hora de escolher qual modalidade fazer, a opção deve ser feita de acordo com o gosto e a personalidade da criança. Por exemplo, crianças muito irritadiças ou briguentas se dão melhor em atividades onde há contato corporal, como lutas, já que esse é o tipo de esporte que ensina muitas doutrinas. "A criança aprende que brigar e bater não deve ser feito fora da aula".

Já para as medrosas, uma opção legal é a ginástica olímpica. A idéia é fazer com que elas realmente superem seus limites.

Caso a criança não esteja se adaptando, a dica do médico é testar várias, até a criança gostar de uma. "Normalmente as hiperativas gostam de qualquer esporte. O problema aparece mais no caso dos gordinhos, que preferem o videogame, nesse caso é muito importante que os pais insistam, até achar uma que interesse a criança com o objetivo de evitar problemas de saúde decorrentes da obesidade".

Para o médico uma opção necessária é que a criança pratique natação, pelo menos para que aprenda a nadar. "A criança precisa ao menos saber sair da piscina. Muitos casos de afogamento são registrados nos hospitais e saber nadar evita muitas tragédias".

O único alerta do médico é quanto a competição, que deve começar somente após os 12 anos. Antes disso deve acontecer o famoso "todo mundo ganha", quando todas as crianças ganham medalhas. "Depois dessa idade a criança já sabe lidar com a derrota e então a competição de verdade deve ocorrer, até porque ela vai precisar disso como estímulo".

Além disso, aquela velha história dos pais quererem descontar suas frustrações por meio dos filhos não é saudável. Ou seja, o pai quer que o filho seja o jogador de futebol que ele não foi e acaba cobrando muito a criança, isso ao invés de estimular atrapalha a criança.


Para finalizar o médico alerta: "Se a criança estiver acostumada desde pequena a fazer um esporte, provavelmente esse vai ser um hábito que ela vai carregar pela vida toda e não se tornará um adulto sedentário".

Por Larissa Alvarez

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