Crianças e as decisões de compra da família

Crianças e as decisões de compra da família

Ávidas por consumo, as crianças também estão opinando nas decisões familiares. Elas tentam (e conseguem) influenciar os pais em assuntos que vão desde alimentação até a compra do carro novo. Pequenas no tamanho, mas grandes nas decisões, dificilmente aceitam ‘não’ como resposta.

“As crianças são facilmente encantadas pela propaganda. Em vista disso, tentam de toda maneira participar das compras dos pais”, diz a psicóloga Lais Fontinelle, do projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, em São Paulo. Ela diz que a publicidade age intencionalmente, tentando seduzir os pequenos para que opinem nas atitudes dos adultos.

Cenários coloridos e com animação, músicas fáceis de serem assimiladas e interação entre humanos e animais são alguns dos recursos utilizados pelos comerciais para adultos para encantar também os consumidores mirins. A exposição de modelos infantis sentados no banco de trás dos carros, se divertindo, também estimula nas crianças o imaginário do mundo perfeito.

Os principais assuntos os quais as crianças gostam de dar palpite são sobre carros, roupas, eletrodomésticos e alimentos. “Geralmente, eles opinam em quase tudo que tem dentro de casa, pois são coisas que eles têm contato direto”, explica a psicóloga.

Um dos motivos de tanta empolgação é a “ascensão social”. A criança quer que o pai compre o carro com DVD, porque os carros dos pais dos amiguinhos da escola também têm. “A criança pensa que se o pai também tiver, poderá fazer parte da turminha”, declara.

Muitas vezes os pais querem dar aos filhos tudo o que não tiveram - e atendem a todas as exigências que os pequenos fazem, sem impor limites. “Esse tipo de consumo desenfreado pode ocasionar sérios males à vida das crianças, como distúrbios alimentares, erotização precoce, dependência do tabaco e alcoolismo”, explica Lais. Ela diz que, além desses problemas, também é possível que a criança dê uma valorização demasiada aos bens materiais, associando o consumo à felicidade.

Uma pesquisa recente da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo mostra que o mercado infantil cresce em média 14% ao ano, o dobro do segmento adulto, e que as crianças movimentam cerca de R$ 50 bilhões por ano no país. Os dados são apenas uma constatação de que um dos principais divertimentos das crianças é mesmo o consumo.

No intuito de sanar esse apego e não provocar a má formação é que os pais devem se posicionar diante dessa realidade. Não é aconselhável, por exemplo, levar as crianças para as compras. “Eles avistam os produtos, associam com o que viram na televisão e pedem que os pais comprem. O melhor é deixá-los em casa”, ensina.

Exercitar o diálogo também é imprescindível. “Explique a ele o verdadeiro sentido das coisas e faça com que compreenda importante é o que somos, não o que temos”, ressalta. E vale lembrar que as crianças seguem os exemplos dos pais. “De nada adianta os pais incentivarem que os filhos não sejam consumistas se eles mesmos não param de gastar”. E como o principal instrumento utilizado pela mídia para potencializar a vontade de comprar ainda é a televisão, estipule horários para filtrar o que eles assistem.


Em suma, explique que a opinião dele é muito importante para você, mas que existem certos assuntos sobre os quais os adultos devem dar a última palavra. Ele não vai precisar tomar decisões se souber que pode confiar em quem sempre lhe mostrou a direção correta.

Por Cínthya Dávila (MBPress)

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