Crianças e adolescentes magros demais

Crianças e adolescentes magros demais

A ditadura da magreza vem afetando cada vez mais a vida de crianças e adolescentes. Dispostos a emagrecer a todo custo, essa faixa etária tem sofrido com problemas alimentares de maneira alarmante. Estatísticas revelam que as meninas, em geral, são dez vezes mais afetadas do que os meninos. E dependendo da gravidade da situação, é necessário recorrer a tratamentos e acompanhamentos médicos.

No Brasil, existe o PROTAD (Programa de Atendimento, Ensino e Pesquisa em Transtornos Alimentares na Infância e Adolescência), localizado no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Criado para dar assistência às crianças e adolescentes e desenvolver estudos na área, o local funciona desde 2001 e já atendeu mais de 100 crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos.

O tratamento abrange entre outros procedimentos, consultas psiquiátricas (avaliação permanente dos sintomas alimentares), consultas nutricionais (restabelecimento de um padrão alimentar adequado) e pediátricas (acompanhamento laboratorial e clínico de possíveis complicações), grupo de terapia cognitivo-comportamental (para aumentar a autoconsciência, facilitar o autoentendimento e melhorar o autocontrole do paciente) e grupo de terapia de orientação psicodinâmica (focado nos sintomas do transtorno alimentar).

A coordenadora da equipe médica e terapeuta do grupo de mães do PROTAD, Dra. Gizela Turkiewicz, revela que a faixa etária mais afetada pelos transtornos alimentares é a de meninas entre 15 e 20 anos. No entanto, estes problemas também podem ocorrer em meninos e em meninas mais jovens a partir de 10 anos.

"Os transtornos alimentares são a anorexia nervosa e a bulimia nervosa. Na enfermaria de Psiquiatria Infantil do IPQ-HCFMUSP, a anorexia nervosa é o diagnóstico que mais frequentemente leva à internação de crianças e adolescentes". Entre os sintomas mais comuns estão medo intenso de ganhar peso, pouca ingestão de alimentos, sentimento de culpa ou depreciação por ter comido, hiperatividade, exercício físico excessivo e alteração de humor.

"As causas da anorexia nervosa envolvem fatores genéticos, biológicos, psicológicos e culturais. A influência da mídia faz parte do grupo de causas culturais, afirma Dra. Gizela. Ela conta também que a incidência da doença tem aumentado de forma linear na faixa que vai dos 10 aos 20 anos, desde a década de 1950.

"A valorização do corpo magro da nossa cultura e a grande disponibilidade de dietas e ‘fórmulas mágicas’ para emagrecer que encontramos de forma disseminada nos diversos meios de comunicação contribuem para que crianças e adolescentes iniciem dietas muito precocemente e muitas vezes sem necessidade. É quase como se existisse uma cultura de que ‘o normal para ter um corpo saudável é fazer dieta’".


Para os casos mais graves, o PROTAD oferece atendimento ambulatorial e internação. O ambulatorial é semanal, e conta com uma equipe multidisciplinar (médicos, nutricionistas, psicólogos, assistente social e enfermeira). "São em média 10 vagas para o ambulatório e três para a internação. E temos fila de espera, pois há poucos recursos disponíveis em nosso país para o atendimento desta população", lamenta Dra. Gizela.

Durante o tratamento, não basta somente segui-lo de maneira correta no hospital. Por isso, o apoio dos parentes mais próximos é crucial para o bom resultado. "A família é sempre incluída no tratamento, pois são os responsáveis por cuidar de nossos pacientes quando eles estão em casa", comenta a coordenadora.

Por Caroline Belleze Silvi (MBPress)

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