Crianças conseguem dinheiro para tratamento através da internet

O milagre da solidariedade

Ao ter a notícia de que um bebê está a caminho um casal se enche de alegria. A espera pelo nascimento é longa, nove meses parecem não ter fim. Ao verem a criança pela primeira vez, corada e saudável, os pais mal podem conter as lágrimas de emoção. O que eles jamais esperam é que uma doença qualquer, de nome difícil, venha acabar com aquele momento de felicidade, deixando preocupação e angústia no lugar.

Foi mais ou menos isso que aconteceu com os pais de duas garotinhas, Giovanna e Gabriela. Ambas apresentaram, muito cedo, alguns sinais de que algo não caminhava bem. Com apenas um ano e meio de idade Gigi foi diagnosticada, no início de 2008, com a síndrome de Tay-Sachs. Gabi que ainda não havia nascido, viria a ter Sandhoff. Duas doenças degenerativas, aparentemente sem cura e fatais.

Os primeiros sintomas apareceram por volta dos sete meses de vida e o distúrbio de coordenação psicomotora das meninas se mostrou certo. Cada família procurou orientação médica, dando inicio a uma série de exames em busca de um diagnóstico. Os pais de Gabi se deslocaram do Piauí para São Paulo em busca de tratamento.

A união das famílias mudaria o destino das duas crianças. Quando se conheceram Giovanna e Gabriela tinham três e um ano de idade, respectivamente. "Quando nos encontramos, estávamos dilaceradas, mas estávamos em pé e firmes, acreditando em um milagre", desabafa Luciana Palin, mãe da Gabi.

Os pais das duas meninas conseguiram, na justiça, o direito à medicação que retarda o desenvolvimento das síndromes, mas apenas isso não bastava para garantir a sobrevivência das crianças. Um tratamento ainda mais caro seria necessário. Embora sejam duas síndromes diferentes, são muito parecidas, em relação aos sintomas e tratamentos.

Há estudos sendo realizados no Canadá que visam paralisar e curar as duas doenças. As famílias chegaram a tomar conhecimento de terapia envolvendo células-tronco, porém este tratamento só era realizado em Lima, no Peru.

Para arcar com as despesas da viagem e do tratamento as duas famílias criaram o site "Unidas pela Vida", onde puderam relatar as suas histórias e contar com a solidariedade dos internautas. Por meio do site teve início uma campanha de doação de verba, para viabilizar o tratamento das meninas.

A frase "Se cada um der uma gota, faremos um oceano", foi o lema da campanha, uma verdadeira corrida contra o tempo.

Todo o valor doado seria usado para cuidar da saúde das duas garotinhas. Uma família não começaria o tratamento sem a outra. Gigi e Gabi passaram a ser uma só, quem doasse a uma, ajudaria também a outra.


E o sonho dessa grande família se concretizou. O valor necessário foi alcançado este mês. Todas as providências foram tomadas. Gabi e Gigi embarcaram para Lima, em busca do milagre que lhes foi prometido. Todos que contribuíram mostram, ainda, apoio na internet e aguardam o retorno das corajosas meninas Gabriela e Giovanna.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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