Contos de Fada: lições da fantasia para o mundo real

Branca de Neve, Rapunzel ou Cinderela, antes os contos de fada eram transmitidos oralmente ou por meio das séries de TV, hoje eles ganham outras interpretações e são veiculados também na internet. Não importa a forma de comunicação, as pequenas narrativas ainda são muito usadas por pais e educadores. Representam um meio de a criança compreender a si própria, além de auxiliá-la na busca dos significados da vida.

“O mundo da magia prende a atenção da criança porque para elas não existe uma linha que separa seres ou objetos inanimados de seres com vida. A fantasia é a realidade da criança e isso as diverte, enquanto trabalha psicologicamente seus conflitos internos”, explica a consultora psicológica da Escola Infantil Regina Elia.

Na opinião da psicóloga, ouviu ou assistir aos contos de fada ajuda no desenvolvimento da personalidade da criança e faz com que elas possam extrair diferentes significados de acordo com as suas idades e conflitos. “Eles atuam de forma terapêutica, porque é nos contos de fadas que as crianças podem revivenciar seus sentimentos”, entre eles, o medo de ficar grande, medo de ser rejeitado, ciúmes ou problemas orais.

Contos de Fada

Na prática, o conto de fadas da Cinderela, por exemplo, trata do abandono paterno e materno - quando o pai casa e deixa a filha com a madrasta. A mãe mal é citada. “Uma menina por volta dos seus cinco anos, que tem uma família em conflitos e que gosta de ouvi-lo, pode pedir a repetição de um determinado trecho. Sabemos que ali existe um conflito maior. Após ouvir tantas vezes quanto sua necessidade emocional precisa, ela começa a encontrar soluções e assim modifica seu modo de pensar, agir e se comportar, pois acredita que se enfrentar os obstáculos tais como a heroína conseguirá ser feliz para sempre”, esclarece a psicóloga.

As historinhas trabalham muito a luta entre o bem e o mal, a vida e a morte. Regina explica que a criança ainda percebe que uma pessoa tem aspectos bons e ruins. A falta de maturidade faz com que elas acreditem que o herói e somente bom e o vilão o contrário.

“Essa divisão entre o bem e o mal, que na verdade é o modo como a criança interpreta as pessoas e a si mesmo, ajuda a criança a depositar todas as suas “emoções boas” no herói e agressivas em cima do vilão. Isso é uma forma de deixá-los aliviados nas suas ansiedades primárias, além de deixá-las livres para encontrar soluções para seus conflitos internos”, diz.

Para os pais ou contadores de história, a psicóloga aconselha nunca julgar o vilão, pois muitas crianças se projetam neles para seus sentimentos agressivos, achando que se o vilão for condenado, só ela e o vilão são maus. Também não se deve usar exemplos dos heróis através de “sermões” morais. A psicóloga afirma que as próprias crianças devem admirar as virtudes dos heróis e como ele conseguiu superar os obstáculos para conseguir a sua meta.


“Ela vê que recompensa ser boa. Lembrando que o vilão também tem seu papel importante na projeção dos sentimentos destrutivos da criança, isso para que ela saia da problemática aliviada”, acrescenta. Sendo assim, os pais nunca devem usar o conto de fadas para impor o que é bom ou ruim. Moral da história: elas devem sim mostrar que o crime não compensa.

Por Juliana Lopes

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