Contadores de histórias

Foto - Contador de história Alexandre Camilo

Contar histórias aproxima pais e filhos, professores e alunos. Desperta o lado lúdico dos ouvintes e transforma os contadores em atores. Essa arte usada desde muito tempo por meio de lendas ou contos parece estar ainda mais presente nas escolas. Prova disso é a criação de cursos especializados para professores, como ‘O professor que conta história’, do Senac. “Ele estará disponível a partir do segundo semestre”, revela Robson Rocha, coordenador de desenvolvimento e lazer da organização.

De acordo com Elaine Gomes, docente em Contação de Histórias no Senac, curso básico inaugurado em 2003, os educadores podem adaptar contos em várias disciplinas. “Em aulas de matemática, por exemplo, os professores usam o livro ‘O homem que calculava’ (Malba Tahan) e a partir dele mostram um tabuleiro de xadrez. As peças são pedrinhas que ajudam a explicar simples operações e outros fundamentos”, explica.

Já para aulas Geografia, a professora indica usar um Globo e ir pintando as regiões conforme a explicação. Simples elementos como tecidos no chão ou detalhes na roupa muda a rotina das aulas. Elaine cita o exemplo de uma voluntária de ONGs. Depois criar uma saia cheia de retalhos e um ambiente simples, conseguiu pela primeira vez prender a atenção dos alunos durante toda tarefa.

Além de incentivar à leitura, quem sabe contar uma boa história também consegue despertar a imaginação, por isso tudo não deve ser apresentado ao pé da letra. Com pequenos gestos e materiais, a própria criança imagina o fato conforme a sua bagagem cultural. Suspenses, humor ou encantamento podem intrigam ou mesmo trazer à tona novas descobertas e a reflexão.

Sempre seguindo este princípio Elaine elaborou o material do curso a partir da sua experiência em artes visuais, de fatos vivenciados quando criança - pois era uma tradição da família contar histórias ao redor do fogão à lenha - e ainda a partir do trabalho da professora Regina Machado, da Universidade de São Paulo.

Especialista em tradição oral e contadora de histórias desde 1980, a professora costuma afirmar em suas palestras que contar histórias é um ato de amor entre pais e filhos, uma forma diferente das crianças ouvirem a voz deles.

Teatro

Os contadores de histórias não atuam apenas em escolas, centros de recreação ou ONGs. Religiosos, como espíritas ou judeus, usam a criatividade para relatar os preceitos de forma mais lúdica às crianças.

Por trabalhar técnicas de dramatização, representação e voz, muitos atores usam o recurso de narrar lendas ou fábulas em vários espetáculos. Alexandre Camilo é um deles. Contos como “O Gigante Egoísta”, “O Rouxinol e a Rosa”, e “O aniversário da Infanta”, todos do escritor Oscar Wilde, servem de inspiração para espetáculos em vários projetos. Já a mitologia grega é aproveitada para ensinar e entreter crianças ou aquelas que habitam dentro da gente.

Por Juliana Lopes

Comente