Confissões de mãe, com Maria Mariana

Confissões de mãe

Trocar a carreira de atriz para se dedicar totalmente a vida de mãe. Depois de fazer sucesso aos 19 anos por escrever a peça “Confissões de Adolescente” e ainda fazer parte do seriado transmitido na Tv Cultura, nem ela mesma, principalmente seu pai, o cineasta Domingos Oliveira a favor dos relacionamentos abertos, imaginavam que iria optar por um casamento nos moldes mais tradicionais e cuidar de quatro filhos.

“Até hoje as pessoas param na rua e olham com cara de tristeza por eu ter abandonado a carreira. Agora sim é que eu comecei a trabalhar, quando tive meus filhos (risos)”, diz.

Em 10 anos fora de cena, Maria Mariana de Oliveira, 36, se mudou para a tranquila cidade de Macaé onde cuida de Clara, 9, Laura, 7, Gabriel, 5, e Isabel, 2. Nesse tempo, ela ainda conseguiu interpretar a mãe na série “O menino Maluquinho”, escrever roteiros para Malhação (Tv Globo) e o livro “Confissões de Mãe”, (Editora Agir), lançado recentemente.

“Ele nasceu junto com a Clara, escrevi em um mês mas foi gestado em nove anos. Quando ele estava maduro resolveu nascer. Nunca conseguiria terminar sem a ajuda do meu marido (cardiologista de 52 anos, que ela conheceu em um curso de meditação), um pai bastante presente e super zeloso”, ressalta.

No primeiro momento, Mariana rejeitou a idéia do livro, mas a aceitou quando percebeu que relembrar o seu passado fortaleceria o seu presente: “Uma mãe que faz a opção pela maternidade, como eu, tem mais força quando lembra a adolescente que ela foi. É a minha história! Não tenho porque fugir dela!”.

Em entrevista ao Vila Filhos, Mariana conta como é criar dos quatro filhos sem ajuda de mães e sogras, apenas com babás. E parece que aos poucos, ela também está volta. Atualmente, é contratada da TV Record para co-escrever a novela Promessas de amor, de Tiago Santiago. Tem dois livros prontos, “na gaveta”, destinados ao público pré-adolescente. E a peça “Confissões de adolescente” volta aos palcos ainda este ano.

Em alguns trechos do livro, você toca em alguns pontos mais polêmicos sobre a maternidade. Você acredita que muitas mães estão deixando de fazer o verdadeiro papel delas?

Quando escrevi não tinha essa intenção de criar polêmica. Não acho que seja culpa das mulheres, mas sim da sociedade, que está impondo uma forma mais materialista e competitiva de viver. Isso vai totalmente ao desencontro da maternidade. Acho que cada mulher faz a sua opção na hora de educar seus filhos, mas quer saber a verdade? Acho muitas de nós devemos voltar atrás e buscar conhecimento com nossas avós.

Alguma semelhança com o livro Confissões de Adolescente?

São duas confissões completamente diferentes. O primeiro quase não foi escrito; ele transbordou inevitavelmente. O segundo foi pensado e repensado! Em “Confissões de adolescente”, eu confesso meus instintos, minhas tendências. Já em Confissões de mãe, eu confesso minha essência, minhas certezas.

O que é mais difícil quando se cuida dos quatro ao mesmo tempo, trocar fraldas, sair de casa ou levar para e escola?

Por incrível que pareça encontrar uma pessoa de confiança para me ajudar. Nunca tive uma babá fixa, mas agora acho que encontrei. Estou com a Nana há mais de um ano. Isso é complicado porque você precisa de alguém que tenha a mesma maneira de pensar, afinal, ela entra na nossa intimidade, nossa casa, interfere na educação dos filhos. Eu sempre digo que cuidar de quatro é mais fácil do que um. É mais fácil para ser justa com eles e impor ordem na casa, mesmo sendo o coração mole que sou.

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Ter quatro filhos hoje em dia, é para qualquer mãe?

Não acho isso algo heróico. O ato de educar; isso sim, é uma missão árdua. E em relação ao trabalho de educação, já vi mães com um filho terem mais trabalho que eu com os meus quatro. Com vários filhos fica mais fácil equilibrar os pesos e as medidas da educação. E, com quatro, acontece o seguinte: ou a gente encontra um jeito de ter paciência e alegria, ou fica doida de vez. Eu escolho a paciência e alegria.

Por Juliana Lopes

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