Como transformar momentos em família, em encontros de intimidade, de prazer e de muita alegria.

Outro dia alguém me perguntou se eu mudaria tudo na minha vida se pudesse viver de novo, recomeçar a história. “Que é que eu devia ter feito de maneira diferente?” Depois de refletir uns instantes comecei a pensar na pergunta. Sim eu mudaria muitas coisas.

Nunca as mulheres abraçaram tantas responsabilidades ou trabalharam tanto tempo. Se levarmos em conta a média de duas horas diárias perdidas no trânsito das grandes cidades, vamos fechar a conta: sobram poucos momentos para dedicar à família.

No meio dessa roda-viva, tudo o que remete a casa e à sua organização, nossa família, muitas vezes vira segundo plano. Por mais que a "rainha do lar" tenha a sorte de conseguir uma assistente doméstica competente e de confiança, a tarefa de fazer a família se conhecer mais e criar laços fortes cabem aos pais.

Propor atividades capazes de aumentar o tempo de convivência com a família de um modo gostoso para todo mundo exige imaginação e empenho. Mas certamente compensa. Mesmo que no inicio seja difícil conciliar as agendas ou você se sinta cansada, insista. Todos sairão ganhando.

- Hora da saudade: Aproveite os filhos reunidos para rever os ou o filme de uma viagem que vocês fizeram juntos; revejam álbuns antigos fotografias, registrem os momentos importantes da vida familiar. Que tal promover uma exposição na sala de casa após o almoço?

- Leitura: No fim da tarde depois do almoço, leia histórias para seus filhos, se eles já forem grandes, conte uma passagem da sua própria história.

- Teatro: Individualmente ou em grupo, crie uma peça e ensaie para apresentar à família. Na minha casa dois dos meus filhos quando pequenos imitadores compulsivos, pedíamos a minha filha mais nova para fazer suas imitações. Como costuma pegar muito a ponte aérea para visitar os avós, imitava todos os comandos e gestos das comissárias de bordo (aquelas instruções que são dadas antes do avião decolar). Fazia tudo tão certinho e com tanta graça que no final aplaudíamos. Meu outro filho imitava o Silvio Santos era engraçadíssimo.

- Um novo membro: No aniversario de 10 anos da minha filha ela nos pediu um cachorro. Relutei um pouco porque sabia que seria eu a pessoa a cuidar. Mas devo confessar que foi nosso maior presente. Desde o dia que a Tuca, nosso filhote de poodle chegou nos aproximou ainda mais. Dividíamos a tarefa de levar para passear, cuidar de repor a ração, a água...

- Dia do contrário: Ideal para crianças até 10 anos. Nesse dia, pais e filhos invertem seus papeis. Escolher o que vestir, restaurante aonde ir e o que irão comer é tarefa dos filhos. Os pais apenas obedecem às ordens. É uma maneira de ver como os filhos vêem a relação.

- Sessão de Vídeo: Crianças adoram assistir repetidamente a seus filmes e desenhos preferidos. Veja junto faça perguntas sobre o cenário e os personagens. Lá em casa “assisti anos a fio “Curtindo a vida adoidado, Um dia a casa caí e Um príncipe em Nova York”. Conhecíamos o enredo, todas as falas, cantávamos as músicas de cor e salteado, até hoje quando nos reunimos lembramos desses momentos!

- Basta de TV: Ter apenas uma televisão pode fazer com que todos assistam aos programas, além de desenvolver o senso de democracia na hora de escolher o que quer ver. Devo admitir que essa não seja uma tarefa fácil, mas insisti ao máximo. Mais tarde quando ficaram maiores, acabei sendo derrotada pela TV individual. A solução foi optar por apenas um ponto da TV a cabo, na sala naturalmente.

- Pôr-do-sol: Se você mora numa cidade à beira-mar, no campo ou numa região montanhosa, no fim de semana não perca a oportunidade de levar seus filhos para curtir o entardecer. Tive a oportunidade de viver por bons anos no Rio de Janeiro e convidava meus filhos para assistirmos ao pôr-do-sol. Nessa hora conversávamos sobre temas que não são discutidos no dia-a-dia. Imaginem uma conversa sobre de onde viemos ou para onde vamos?

- Internet que Integra: Se a família toda se reunir em volta do computador, num sábado a tarde, por exemplo, é possível encontrar assuntos que interessem a todos. Ouça as sugestões de dialogo dos filhos e aproveite para conhecer a maneira como cada um deles se comunica e faz novas amizades. Aprendi tudo o que sei sobre a internet com os meus filhos.

- Karaokê: É sem dúvida uma ótima opção para aproximar pais e filhos. O único problema será combinar as preferências musicais. Solução: faça um sorteio ou um rodízio de gêneros.

- Caravana Cultural: Para os filhos pequenos, filmes e teatros. Para os jovens, escolham em conjunto um espetáculo que agrade a todos; pode ser um show, um musical, uma comédia. Seja qual for a escolha, faça companhia a eles. Conversar sobre o que vão assistir é uma ótima forma de estimular a curiosidade e aumentar o conhecimento dos filhos.

- Refeições familiares: É muito importante que a família faça pelo menos uma refeição do dia em conjunto. Mantive esse costume até eles ficarem grandes, todos nós temos muitas saudades desses momentos.

- Viagens estudadas: Fazer pelo menos uma viagem a cada ano é importante para a família se conhecer melhor. Todos têm que ceder um pouco na escolha do lugar e da programação. Faça uma lista das opções e vote democraticamente ou estipule uma regra: cada ano um escolhe.

- Culinária: Cozinhar em família pode ser delicioso e ainda ajuda a desenvolver a criatividade. Se as crianças têm entre cinco e dez anos, basta fazer uma linha de montagem sobre a pia da cozinha e distribuir as tarefas; pode ser rechear e cortar massa para pastéis ou simples sanduíche Se forem mais velhos, cada um escolhe um prato para fazer e o resultado será submetido ao julgamento de uma comissão formada pelos avós, por exemplo.

Insista em atividades diferentes e em rituais que vocês possam fazer juntos, mesmo que pareçam difícil conciliar os desejos de todos. Com certeza, o final da história vai ser feliz.

Não somos pessoas completas se insistirmos unicamente no nosso lado físico, social, financeiro e intelectual - Nós somos seres espirituais! Se o mundo é conhecer Deus e sua vontade, então qualquer pai ou mãe deveria ser o primeiro a transmitir isso.

Lembro-me que minha filha caçula (Ana Maria) costumava ter medo de chuva, numa noite, cheia de medo dos trovões, chamou: “Vem aqui mamãe estou morrendo de medo” Minha filha respondi; - Deus vai cuidar de você e te ama muito, ou disse algo parecido, mas a resposta eu gravei:

“Eu sei que Deus me ama” respondeu de pronto; “mas o que eu quero agora é alguém de carne e osso”.

Fiquei refletindo por muito tempo àquelas palavras, na mensagem contida. E a prova disso é que nunca mais me esqueci.

Hoje se eu pudesse começar tudo de novo, era isso que eu queria ser acima de tudo: O amor de Deus, mas em carne e osso.

Haveria mais eu te amos, mais sinto muitos... Mas especialmente se tivesse outra oportunidade de viver, eu iria agarrar a cada minuto, observa-los atentamente e percebe-los de verdade...

Yvone Pereira

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