Como lidar com a síndrome da alienação parental?

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A Síndrome da Alienação Parental, infelizmente, é um fato bastante comum entre as famílias que passaram por uma separação. Nessa síndrome, geralmente o cônjuge que se sentiu rejeitado acaba descontando suas frustrações e desilusões nos filhos do casal, tentando jogá-lo contra o outro cônjuge, denegrindo sua imagem e tentando afastá-lo da criança.

Ela pode acontecer de diversas maneiras; por palavras ou por afastamento, por exemplo. Na separação, geralmente é a mãe que fica com a guarda das crianças e às vezes, inconformada com o fim do relacionamento, acaba proibindo os pais de verem seus filhos. Dessa maneira, como geralmente é o pai que sai de casa, fica fácil da criança acreditar que foi abandonada. Em outros casos, a alienação vem camuflada, com o simples desmerecimento do alienado, ou com omissão de seus fatos. O alienador pode mentir para a criança dizendo que a outra parte não tem interesse nela, omite ligações e vontade de visitas. O alienador pode até esconder fatos do alienado, como data de festas na escola, etc.

Se para o casal, essa síndrome traduz uma história de amor mal resolvida, para a criança significa danos emocionais altíssimos. Ela acaba perdendo a referência e pode apresentar vários problemas comportamentais, como falta de apetite, falta de interesse nos estudos, problemas de relacionamentos e até agressividade. Foi isso que aconteceu com Tatiana Magalhães*. No caso dela, o pai sempre foi ausente, desde o nascimento da filha, Mariana Magalhães*, mas por falta de interesse dele.

Os dois não viviam juntos e a menina ia para a casa do pai, que mora com a avó paterna, esporadicamente. "Certa vez, ela voltou da casa do pai muito agressiva. Depois de muito tempo de conversa e de acalmá-la, consegui que ela me contasse que o pai e a avó haviam falado besteiras de mim. Ela ficou bastante transtornada", conta Tatiana.

A criança que passa por uma situação dessas perde totalmente seu porto-seguro. Isso por que passa a ver pai e mãe de maneira diferente, sem saber em quem acreditar e não se sentindo mais amada e insegura.

Segundo a psicóloga Ana Maria Cabrera, a parte alienada deve ser a mais verdadeira possível. "As crianças sabem quando os pais estão mentindo. Converse sempre olhando nos olhos, pois isso faz a criança se sentir segura. Nunca tente fazer o mesmo que o alienador, não rebata nem jogue o filho contra. Explique que você quer estar junto e isso que importa", aconselha a psicóloga.

A síndrome é tão comum que hoje em dia já é possível tratá-la de forma judicial. A alienação parental é considerada infração de acordo com a Lei 12318/2010. Quando comprovada, a princípio, pode haver a transferência da guarda da criança e a suspensão da autoridade parental. A primeira medida é procurar um advogado e expor o caso.


Por Helena Dias

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