Como incluir os filhos nas atividades domésticas?

Filhos nas atividades da casa

Quem tem filhos sabe o quanto é difícil fazer com que eles se integrem e se sintam importantes nas realizações das atividades domésticas. Saiba que para cada fase da criança há uma tarefa adequada que fará com que ela se sinta segura e importante dentro e fora do lar.

A educadora Andrea Ramal, autora do livro "Depende de Você: Como fazer de seu filho uma história de sucesso", do Grupo Editorial Nacional, Editora LTC, acredita que estimular os filhos a assumirem responsabilidades desde bem cedo irá ajudá-los a formar a sua autonomia e fazer deles sujeitos mais seguros e autoconfiantes ao longo da vida, além de elevar a autoestima e fazer com que eles se sintam importantes na organização da casa. "O segredo é dosar: bom senso e equilíbrio, sem superproteger, mas também sem exagerar na delegação de tarefas", diz.

É importante saber que definir a idade exata para cada atividade depende dos pais. É preciso verificar a maturidade da criança e o nível de autonomia para cada situação. "As tarefas ideais para cada criança dependem muito de cada família", diz a educadora.

Andrea acredita que entre os dois e três anos, as crianças têm alta tendência ao movimento - pegar, mexer em tudo - ou seja, demonstram muita atividade motora. É uma idade interessante para começar a ensinar a organizar o seu espaço, como guardar os brinquedos. "Sempre como se a atividade fizesse parte da própria brincadeira. Por exemplo: ‘agora todos os brinquedos vão para suas casinhas!’. Também é idade boa para começar a ajudar a alimentar bichinhos de estimação e levar as roupas sujas para o cesto", sugere.

A autora aponta que entre os quatro e cinco anos já é possível ensinar a arrumar a própria cama, ajudar a arrumar compras do supermercado nos seus devidos lugares. "Provavelmente alguma tarefa doméstica de limpeza, como tirar o pó ou participar um pouco na preparação de alguma comida já poderá ser feita, mas, é claro, sempre com a supervisão do adulto!", ressalta.

Talvez, do ponto de vista da educadora, a idade entre seis e oito anos seja a mais difícil para transformar as atividades da casa em simples "brincadeiras", porque a criança terá outros interesses. "É o caso de começar a pensar numa pequena mesada, mesmo que seja simbólica - isso fará com que ela perceba o valor do trabalho e comece a aprender a administrar seus próprios recursos", diz a autora.

Nesta mesma fase, além das atividades já mencionadas acima, a criança pode fazer limpezas que envolvam instrumentos, como esfregão, pano, balde com água. Pode ajudar a limpar os "estragos" que, às vezes acontecem, por exemplo, água derramada nos tapetes, comidas que caíram da mesa, etc. Andrea diz também que elas já estão preparadas para se envolverem mais na preparação das refeições. "Pode também aprender as práticas de segurança da casa, como trancar as portas, ligar e desligar as luzes, ter os telefones úteis para o caso de ter que pedir ajuda a alguém, caso os pais passem mal, e conhecer o funcionamento de alguns eletrodomésticos", afirma.

Entre os nove e 12 anos é a hora de assumir mais o papel no trabalho coletivo de manter a casa em ordem. "Assim, a criança pode ajudar a lavar o carro, a levar o lixo, aspirar o chão, tratar dos animais de estimação, cozinhar até mesmo uma refeição completa", recomenda a educadora. Andrea explica que neste momento ela percebe que a casa é uma comunidade, na qual os deveres são divididos e assumidos por todos.

A autora conta que, em tese, as crianças que aprendem a cuidar dos próprios brinquedos, a assumir tarefas com responsabilidades progressivas e a organizar o próprio tempo para dar conta desses afazeres em casa têm uma tendência a reagir com mais naturalidade e compromisso nas tarefas escolares e também a pensar mais em função do coletivo e não do individual.


"De qualquer forma, ensinar crianças a ver que as tarefas podem e devem ser compartilhadas por aqueles que vivem juntos é sempre muito bom. Isso desenvolverá a sua autonomia e será útil para toda a vida, tanto pessoal quanto profissional", diz. "É muito bom também fazer isso com meninos e meninas, porque assim se ensina que arrumar a casa não é ‘coisa de mulher’. Essa é uma concepção do passado. Hoje, homens e mulheres dividem os afazeres e responsabilidades da casa", completa Andrea.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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