Como falar sobre violência com as crianças?

Como abordar a violência com crianças

Foto Ambro/http://bit.ly/g43yMx

Todos os dias os noticiários relatam novos casos de violência ou sobre a onda de criminalidade que assola a sociedade. Alguns adultos conseguem diferenciar o que é notícia da realidade, pois sabem que o mundo não é composto só por maldade, mas como essas notícias são absorvidas pelas crianças? Como falar sobre esses assuntos sem assustar os pequenos?

A psicóloga Moniki Trombine Caputo explica que é preciso manter um diálogo aberto com os pequenos, de forma que eles se sintam à vontade para conversar sobre o assunto, fazer perguntas e não manter o medo escondido dentro deles. "Numa família onde o diálogo já existe, a abordagem sobre violência ou criminalidade surge de forma natural. Não existe uma forma única de falar sobre esses assuntos, mas há a necessidade de existir, dentro de casa, modelos diferentes dos vistos na TV e a liberdade de poder falar sobre o que viu ou o que sente", argumenta.

Fingir que o problema não existe ou demonstrar medo com relação aos assuntos não são a melhor forma de lidar com a situação. É preciso ensinar para a criança que fatos bons e ruins acontecem todos os dias e não estão só na TV, mas que eles servem para a construção do aprendizado, para ensinar o ser humano a enfrentar os problemas.

Se a criança demonstrar medo com relação à violência, os pais devem escutá-lo, tentar diminuir a proporção deste medo, já que para a criança tudo é percebido de maneira maior, depois mostre a ela suas capacidades de enfrentar o medo, de acordo com a conduta e os valores familiares. "Medo é um sentimento que faz parte do nosso emocional. O que as crianças mais precisam na hora do medo é o sentimento de acolhimento e de conforto!"

Muitos pais acabam transferindo seus próprios medos para os filhos, gerando um clima de insegurança. A psicóloga orienta a se controlarem e tratarem seus filhos como um indivíduo a parte, que precisa e tem capacidade de vivenciar e aprender com suas próprias experiências.


"Somos homens e mulheres além de mães e pais, e como tal, temos sim nossos medos, nossas preocupações, nossos anseios e nossas angústias. Nosso histórico particular e único de vida. Não é tarefa fácil separar tudo isso na hora de transmitir algo aos filhos, mas é preciso bloquear esses sentimentos para não influenciar a criança."

Por Carmem Sanches

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