Como falar sobre homossexualidade com os filhos?

Quando o assunto é homossexualidade, como explicar para os filhos que o amor não escolhe gênero?
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Para falar sobre homossexualidade com os filhos é preciso aprender a se despir de preconceitos.Foto: iStock/LittleBee80

Por mais que a escola exerça um papel fundamental na vida das crianças, vale sempre lembrar que a base de educação e respeito que os pequenos têm vem sempre de casa! Por isso, é importante conversar e orientar os filhos sobre a diversidade sexual a fim de torna-los pessoas melhores e mais evoluídas. Mas como falar sobre homossexualidade com os filhos? E como responder de modo a esclarecer a dúvida dos pequenos sem incutir um tom de preconceito? 

De acordo com dados do Terceiro Relatório de Violência Homofóbica no Brasil, publicado pelo Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, ao menos cinco casos de violência homofóbica são registrados todos os dias no Brasil. Este número, que ainda está longe de longe de corresponder a totalidade dos crimes ocorridos todos os dias, só exalta que é cada vez mais preciso introduzir o respeito e empatia na educação das pessoas.

Para falar sobre homossexualidade com os filhos é preciso refletir sobre quais são os seus preconceitos. Edith Modesto, presidente do Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), comenta: "Dependendo da família em que vivem e são criadas as crianças, há um número maior ou menor de preconceitos presentes na criação". E dependendo da família, esses preconceitos podem acontecer em maior ou menor grau.

Se houver alguém homossexual na família, como irmãos, tios e etc., é melhor conversar com a criança o mais cedo possível. "As mães podem dizer a verdade: não sabemos o que faz a maioria ser heterossexual (gostar de pessoas do sexo contrário ao nosso), assim como não sabemos por que alguns são homossexuais (gostam de pessoas do mesmo sexo que o deles). Mas já sabemos que não é uma escolha, trata-se se amor. As pessoas são assim", afirma Edith.

A presidente do GPH nos dá um exemplo muito singelo de que as crianças podem levar tudo numa boa. "A filha de um amigo gay, com seis anos, chegou da escola e perguntou: ‘Papai, você é gay? Falaram na escola... O que é ser gay?’. E a resposta foi: ‘Sim, filha, eu sou gay. Ser gay é ser homem e namorar um homem, como o papai namora o Tio João’. A menina fez uma ‘Ah...’ e foi correndo brincar", relata ela. Ou seja, às vezes quem complica o assunto somos nós.

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As novas famílias pretendem estar cada vez mais presentes. Por isso, é preciso ensinar as crianças a respeitarem os diferentes núcleos familiares. Foto: iStock/DGLimages

Uma boa dica pesquisar junto com a criança sobre o conceito de homossexualidade e sua definição, sobre como ela evoluiu durante toda a história, qual a situação atual e quais celebridades ou famosos são gays. Pergunte quais foram as conclusões que seu filho tirou e aprendam juntos. Afinal, é sempre tempo para rever alguns conceitos.

Mas lembre-se que as crianças nascem como folhas em branco e grande parte de sua personalidade será desenhada pela cultura que o cerca. "Os preconceitos são internalizados e, depois, é dificílimo para a gente se livrar deles!", alerta a presidente. Por isso, fique de olho em seus filhos para que eles cresçam adultos tolerantes e possam fazer uma sociedade melhor. E Edith completa: "Devo reforçar que criança nenhuma nasce preconceituosa".

Por Thamirys Teixeira com informações de Juliany Bernardo (MBPress)

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