Como escolher a escola ideal para os filhos?

Como escolher a escola ideal

Foto: Tom Grill/Corbis

Em meados ou no final do ano a movimentação de pais nas instituições de ensino aumenta. Na hora de escolher uma boa escola para matricular seus filhos, os responsáveis precisam ser habilidosos e ter muita paciência, já que esta tarefa leva tempo para ser concluída.

E para quem está passando por esse momento, ou ainda não sabe como proceder, o Vila Mulher conversou com duas especialistas para dar algumas diretrizes: Eliana de Barros Santos, psicóloga, psicopedagoga e diretora do Colégio Global e Maria Rocha, psicóloga e diretora pedagógica do Colégio Ápice. Anote:

Tudo começa em casa

O primeiro passo é os pais definirem valores pessoais e comuns e também o papel da escola na formação dos filhos. "Os pais que trabalham fora e vão deixar os filhos período integral precisa ter em mente o grau de influência da escola sobre a vida do aluno", comenta Maria Rocha. Sobre as expectativas, Eliana sugere: "Anote o que vocês desejam da escola para seu filho, o que é primordial, desejável e dispensável. Esta é uma forma de os pais se manterem focados nas informações que necessitam, sem perder tempo sendo vítimas passivas de uma venda planejada."

Nivelamento social, econômico e cultural

Os pais devem levar em consideração esses quesitos. Na opinião de Maria Rocha, os filhos vão conviver com determinados valores que precisam estar próximos à realidade e princípios da família. Sobre a questão financeira, a especialista ressalta: "O custo da escola envolve, além da mensalidade, os materiais, uniforme e atividades extraclasse. Os pais terão condições financeiras de arcar com tudo isso?

Proposta pedagógica

Eliana recomenda que os pais se atentem a alguns tópicos, como filosofia de trabalho, valores morais, linha religiosa, postura em relação a alunos indisciplinados, tratamento dado a alunos de inclusão e defasados. Maria Rocha complementa a lista: A proposta pedagógica é moderna, com ênfase na participação dos alunos nas atividades? Em caso de bullying, como a escola enfrenta o problema? Como os pais participam do ensino? Qual a frequência e conteúdo das tarefas de casa? Como a escola incentiva a construção de valores, ética e solidariedade? Quais instrumentos são usados para avaliar o aproveitamento do aluno? Qual a periodicidade da reunião de pais?

Infraestrutura

"É muito importante conhecer a escola, sem agendamento de horário, e pelo menos duas vezes no período em que seu filho vai estudar", sugere a diretora do Colégio Ápice. Ela pede também que os pais observem se o ambiente é silencioso demais. Isso demonstra que o aluno tem pouca participação nas atividades. "Certa vez fui conhecer uma escola e observei que vários alunos estavam com os cadarços do tênis desamarrados. Isso me mostrou o quanto os professores ‘olhavam’ para seus alunos!". Eliana completa ressaltando que não adianta a escola apresentar um espaço bonito. É preciso saber como ele é usado. "Um pátio onde os alunos fazem o recreio, por exemplo. Procure saber quanto tempo os alunos ficam lá, quem supervisiona, se há diferentes idades no mesmo espaço e com que frequência o espaço é utilizado".

Converse com os pais de outros alunos

Eles também podem passar informações sobre a escola. "Questione o que eles veem de mais positivo e de mais negativo na escola, levando em consideração que o que é muito relevante para uma família pode não ser para outra", diz a diretora do Colégio Global.

Segurança do lado de fora da escola

Chegada e saída dos alunos, guarda nas redondezas, fácil acesso a transportes públicos, faixas de pedestres, fique atento a esses "detalhes" também.

Levar em conta a opinião dos filhos?

Maria Rocha acha que não: "Quem tem capacidade e discernimento para escolher a escola são os pais, nunca os filhos". Já Eliana pensa que, dependendo da idade do aluno, cabe uma conversa objetiva e sensata. "Neste caso os pais devem considerar os argumentos palpáveis do filho e não os anseios supérfluos. Ex: ‘quero estudar lá, porque meu amigo diz que é legal e tem umas gatinhas da hora’ ou ‘porque lá tem um time de futsal que joga muito’", pensa.

Não transfira as suas responsabilidades para a escola.

Eliana diz que é comum os pais buscarem a escola perfeita, onde o aluno é pouco exigido e o resultado é de alto nível. Mas salienta que a fórmula não existe e cada escolha trabalha de uma forma. Assim, cabe aos pais verificar se os objetivos da escola estão alinhados com os da família e do aluno.

"Há um clássico exemplo da família que não consegue colocar limites nos filhos e encaminha para escolas com normas rígidas, na intenção de delegar a ela a função disciplinadora. Não dá certo", afirma. "É preciso escolher uma instituição que pense e atue de forma semelhante à da família, pois as amizades que seu filho fará na escola devem vir de famílias com modo de vida semelhante aos seus."

Outro exemplo semelhante é dado por Maria Rocha. "Há famílias que transferem para a escola o ensino religioso. Ora, se a família não é religiosa, a escola pouco poderá contribuir para a formação desse aluno neste quesito". E conclui: "Muitas famílias transferem para a escola a formação social de seus filhos. Porém, o que a escola ensina é conteúdo matemático, literário etc., e não como se portar à mesa."

Por Juliana Falcão (MBPress)

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