Como domar um filho dedo-duro

Como domar um filho dedoduro

A vida das crianças é feita de descobertas. Nos primeiros meses de vida eles aprendem a reconhecer quem está ao redor. Depois, descobrem que conseguem falar e andar. Quando crescem mais um pouquinho, adquirem uma noção do que é certo e errado. E nessa fase, já aprende a se defender - e a delatar um amiguinho ou irmão.

“Quando a gente aponta o outro como errado, se sente por alguns instantes como sendo o certo, como estando do lado oposto do acusado. Também é uma forma de sermos leais à pessoa para quem delatamos”, explica a psicóloga Renata Machado Coelho, professora do curso de Pedagogia da Universidade Mackenzie, de São Paulo. Segundo ela, mesmo em idade infantil, delatar é um ato imoral, feito na surdina, e não dá ao delatado o direito de defesa.

Não existe uma idade padrão em que a criança comece a dedurar os outros. “O processo de socialização pode variar de uma para outra”, afirma Renata. Por isso é importante que os pais mostrem que é preciso ter compaixão com os outros e que entregar as pessoas não leva a nada. Segundo ela, a razão da delação varia de acordo com a maneira que a criança enxerga os próprios atos e, na grande maioria das vezes, é inocente. “Um dos motivos que leva a criança a ser um dedo-duro é que ela pode estar se sentindo acuada. Então, delata para fazer com que outro ocupe seu lugar de vítima”, explica.

Outra razão que explica esse fato é a criança se deparar com uma situação que não costuma fazer parte de sua rotina - e se sentir insegura e confusa. Assim, reporta aos pais o que presenciou na tentativa de encontrar segurança junto aos adultos. Pode acontecer de a criança estar se sentindo injustiçada em relação aos irmãos e acabar falando mais do que deve para conquistar seu espaço perante os irmãos.

Vale lembrar que o filho dedo-duro não deve ser punido de maneira severa. A infância exige sensibilidade e sabedoria dos pais. Se a criança estiver se sentindo acuada, um castigo muito severo pode fazer com que o pequeno fique traumatizado, ao invés de deixar de ser um dedo-duro.

Por Cínthya Dávila (MBPress)

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