Como aproveitar as manifestações para falar de cidadania com os filhos?

Como conversar sobre as manifestações

Foto: Reprodução/ Lucas Azevedo/ Uol

É muito comum uma mãe ser questionada o tempo todo por dúvidas e curiosidades dos filhos. Todas as crianças quando estão crescendo querem saber como funciona o mundo, as pessoas e os objetos, mas é nessa hora que uma pergunta deve ser feita: como ensinar assuntos mais polêmicos às crianças?

Nestes últimos dias o Brasil está tomado por manifestantes que querem a diminuição do preço das tarifas dos transportes públicos e a insatisfação da população com a saúde, educação e corrupção. As cenas de protesto e violência estão estampadas principalmente nas redes sociais, sendo de fácil acesso para as crianças que estão cada dia mais conectadas com o mundo virtual.

É inevitável as crianças verem tais protestos e não perguntarem aos pais para que servem, porque estão sendo feitos e o que podem causar. É neste momento que os pais devem explicar sobre cidadania e direitos de uma forma simples, clara e objetiva. Lembre-se que você está dialogando com uma criança, então utilize palavras menos agressivas e mais instrutivas.

"A cidadania é um direito que ganhamos com a vida. Ainda na barriga da mãe, já temos os nossos direitos resguardados pelo Estado. A forma de expressar é que pode mudar, mas o direito é válido para todos", explica a administradora e blogueira Edi Fortes, de 32 anos. "A base da instrução dos filhos é obrigação dos pais. Precisamos ter bom senso e sabermos a hora certa para começarmos a explicar para a criança os seus direitos e os seus deveres como cidadãos do mundo."

A maneira como se fala com uma criança é de extrema importância não só no presente, mas no futuro. O que é ensinado desde cedo com palavras agressivas e de revolta tem mais chances de crescer e se tornar hostil. O jeito simples é a melhor maneira de esclarecer as perguntas dos pequenos.

"Desde jovens precisamos entender o que é o certo e o errado. Se não ensinarmos aos nossos filhos, eles aprenderão com o mundo da forma que lhe é mostrada, que nem sempre é da forma correta. Os nossos filhos precisam ter uma base para a vida. E, para isso, precisam da instrução constante dos pais", defende Edi. "Não existe uma fórmula certa para seguir. Existe o diálogo e os questionamentos. A partir do momento em que a criança começa a ter dúvidas, o ideal é lhe passar segurança através de respostas corretas e seguras", completa.

A blogueira lembra que cada criança evolui em um determinado tempo e de uma forma diferente das demais. Ela diz que o filho dela, por exemplo, com apenas dois anos e meio, sabe diferenciar o certo do errado e sabe o que pode causar uma situação de conflito e uma situação de conforto.

"Se ele tem esse entendimento, está em pleno amadurecimento e precisa aprender sobre a vida, sobre o mundo. Se eu o instruo da forma correta para conviver com outras pessoas, não vejo dificuldades para instruí-lo acerca de outros fatos que vivemos e presenciamos na sociedade", diz. "Mas, para tal, preciso respeitar a idade e as fases dele. Não preciso atropelar a sua infância para lhe mostrar uma cena chocante na televisão e explicar o que está acontecendo. Preciso de moderação e bom senso para educar o meu filho corretamente e não marcar a sua vida precocemente."

A verdade nua e crua às vezes não deve ser mostrada para uma criança muito pequena. Edi ressalta que não pode explicar determinados assuntos para uma criança de dois anos, que poderão refletir nos próximos 30. Isso porque ele não está preparado para entender sobre assuntos que nem nós, adultos, conseguimos resolver e controlar.

"Ele precisa ter noção e saber que algo está acontecendo, mas não é preciso roubar-lhe a infância para que cresça e torne-se uma pessoa preocupada e insegura. Ele precisa da segurança e de confiança. Não precisamos pular as etapas da sua vida para explicar-lhe um manifesto que, se para nós, é chocante, imagine para ele. Alguns fatos precisam ser moderados. Não preciso mentir para ele, mas também não preciso expor ele a cenas de violência e de protesto."


Muitas mães não concordam e nem aceitam que os filhos participem de um manifesto. A administradora acredita que se o filho tem maturidade suficiente para caminhar sozinho, também terá para responsabilizar-se por suas atitudes e escolhas. "Não posso escolher o seu futuro e nem discordar de suas escolhas. Se ele julgar que o fato, será o melhor para ele. Estarei de mãos dadas apoiando-o sempre."

Por Thaís Santos (MBPress)

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