Como apresentar um novo namorado para as crianças?

Como apresentar um novo namorado para as crianças

Iniciar um novo relacionamento é uma fase de descobertas e de felicidade, mas quem tem crianças sabe que elas se apegam às pessoas e criam laços de afetividade aos antigos relacionamentos, sejam pais ou apenas companheiros. Então é comum que os pais se sintam preocupados na hora de apresentar um novo namorado para as crianças.

A educadora Maria Edna Scorcia, coordenadora pedagógica do colégio Joana D´arc, em São Paulo, afirma que o novo parceiro precisa ser gradualmente inserido na família, com muito respeito à situação que já estava estabelecida antes de sua chegada.

Para a psicóloga e psicopedagoga do Colégio Global, Eliana de Barros Santos, ter naturalidade e clareza nas relações é importante. "Não deve acontecer uma preparação para não alimentar expectativas e gerar possíveis frustrações. Se é uma novidade, permita que a criança descubra as diversas formas de se relacionar, inclusive com o novo parceiro’, afirmou. Ela lembra que é importante falar sobre suas emoções e estimular que a criança fale sobre o que sente.

Segundo Eliana a criança deve avaliar a situação e desenvolver por ela mesma uma relação próxima ou não. "A criança é naturalmente seletiva então cabe ao adulto apresentado ter em mente que está sendo avaliado pela criança e testado; basta ser natural que a criança irá tirar suas conclusões de forma muito sincera e transparente", lembrou.

A especialista afirma que não importa muito o ambiente e sim o comportamento dos adultos envolvidos. "Dar o máximo de atenção à criança para que ela não se sinta excluída daquela relação. Esteja atento para suas trocas de olhares e carinho perante a criança, ela é muito sensível e perceberá as sutilezas da comunicação portanto, seja cuidadoso e muito dedicado com ela", disse.

A criança, por ter se acostumado a um antigo relacionamento, pode perguntar sobre o antigo parceiro. Neste momento a psicóloga afirma que é importante traduzir a verdade para a realidade da criança. "Respostas curtas e objetivas satisfazem, mas se o adulto começa a justificar suas respostas, a criança percebe a insegurança e fica desconfiada da veracidade da informação. Onde está fulano? Ele não vem mais aqui? Responda que ele está na casa dele e que hoje ele não virá. Ele virá amanhã? Não sei, eu não perguntei a ele", afirmou a psicopedagoga.

Rejeição não pode ser contrariada

De acordo com a psicóloga, a criança não pode ser induzida a gostar ou não de alguém. "Se há uma rejeição é melhor observar o que é que não está agradando e muitas vezes ela está rejeitando a relação da qual não está participando de forma agradável e sentindo-se excluída. Observe o lugar que cada um está ocupando na nova dinâmica familiar e talvez seja o caso de reposicionar o foco de atenção", lembrou.

Consolidar a relação é preciso antes de qualquer apresentação

A educadora Maria Edna Scorcia lembra que o novo parceiro só deverá ser apresentado aos filhos quando a relação estiver estável. "A criança pode fazer uma leitura de que as relações são descartáveis e, então, vir a repetir isso na sua vida afetiva adulta", destacou.


Antes de apresentar o parceiro à família, o pai ou a mãe precisa conversar bastante e amadurecer o relacionamento. "É importante contar ao novo membro a história da família e deixar bem claro os princípios e valores cultivados até então com a criança. Em geral, o novo integrante da família precisa de um tempo para observar e conversar sobre a história da vida desta criança ou adolescente, para que possa entender e participar de sua rotina", ressaltou.

Por Catharina Apolinário

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