Como ajudar os filhos na reta final do vestibular?

Ajudar os filhos no vestibular

Foto: Corbis

Algumas provas já passaram e muitas ainda estão por vir. Os adolescentes ficam com os nervos à flor da pele e os pais seguem no mesmo caminho. Mas como ajudar os filhos no vestibular, um evento tão importante e significativo na vida deles?

Como já dizia o ditado, "muito ajuda quem não atrapalha". Portanto, não siga a onda de ansiedade coletiva e procure manter a calma. O psicólogo clínico Fernando Elias José, que trabalha com psicoterapia direcionada à preparação emocional de candidatos para vestibulares, indica: "Devemos questionar de que forma essa ajuda seria mais eficaz e não necessariamente precisamos agir. É preciso verificar, com o próprio estudante, o que ele considera como uma ajuda necessária".

Sendo assim, pergunte ao seu filho de que forma ele prefere ser ajudado e priorize sempre o diálogo e a comunicação. É importante que você tenha estado ao lado dele dando apoio durante todo o processo e não apenas nessa reta final. Isso ajuda a colocar mais pressão, afinal, pouca coisa pode ser feita em algumas semanas.

Além disso, seja coerente nas cobranças com seu filho. Não faz sentido cobrar que ele se concentre nos estudos quando você está passando aspirador de pó na sala ao lado com o rádio no último volume. Crie para o estudante um ambiente propício aos estudos, com suas necessidades básicas atendidas, como alimentação correta, um lugar confortável para concentração etc. Mas não caia no mal de oferecer um lanchinho a cada cinco minutos.

Eles precisam de atenção e que a família também esteja focada num objetivo tão importante. "Os pais têm a função de dar um norte para esses adolescentes que acabam ficando perdidos na ansiedade das provas", explica o psicólogo. E mesmo que neguem, eles precisam, sim, de ajuda para manterem o foco.

Apesar de seus filhos já estarem crescidinhos e aspirando pela independência, ainda precisam que os pais ditem a hora de dormir, estudar, comer etc. Do contrário, eles pularão refeições importantes e atravessarão a madrugada na esperança de estudar mais, sem notar que isso prejudica a saúde e atrapalhará o rendimento nas avaliações.

Valorize as coisas positivas e dê apoio, desde as primeiras etapas. "Não precisa deixá-lo no alto, dizendo que ele é o melhor, mas diga o suficiente para que ele possa acreditar no que fez. E não exagere porque excesso de confiança também é um tipo de cobrança", diz Fernando. Sem depositar muita expectativa, acompanhe-o nas segundas fases com a mesma normalidade, dando uma base próxima para que ele se sinta seguro.


Sobre as provas que já foram prestadas, não coloque pilha sobre seu filho ter ido bem ou mal. "É importante não prejulgar, esperar sair o resultado e, então, decidir o que fazer. É preciso ter paciência e passar para as próximas provas, ao invés de ficar pensando em ter ido bem ou mal", explica o psicólogo. Já no caso de o vestibulando ter ido muito mal mesmo e já não ter chances competitivas, ele, provavelmente, não estava bem durante todo o ano e isso já deveria ser esperado.

Nesse momento de festas de Natal e Ano Novo, os cuidados ainda precisam ser mantidos. Nós temos festas boas e não tão boas todos os anos, mas o vestibular é um acontecimento único. Que tal fazer festas mais curtas para que seus filhos possam aproveitar o momento com a família sem atrapalhar muito o cronograma de estudos?

Já para as férias, é preciso ter consciência de que esse ano será um pouquinho diferente e existem outras coisas no caminho. "Para o vestibulando pode ser muito frustrante ver todo mundo indo viajar quando ele precisa estudar e pode ser angustiante que, apenas por sua causa, todo mundo fique em casa. Portanto, administre as férias e consulte o adolescente para saber o que ele prefere", afirma Fernando.

É importante que cada um saiba seu papel nessa história, que cada familiar saiba dar seu apoio de modo a deixar o vestibulando o mais confortável possível. Entenda caso ele esteja mais estressado e menos paciente, este é um momento muito difícil e qualquer desentendimento entre vocês não irá ajudá-lo.

"É o momento do adolescente e os pais precisam dar o suporte. Eles pensam na vida de adulto, mas ainda são crianças", completa o psicólogo.

* Serviço: Fernando Elias José, psicólogo clínico.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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