Como aceitar a homossexualidade dos filhos?

Como aceitar a homossexualidade dos filhos

Foto: Divulgação/ TV Globo

Na novela das 21h da TV Globo, "Amor à Vida", o vilão Félix, vivido por Mateus Solano, é um gay não assumido. Casado com uma mulher, Edith, personagem de Bárbara Paz, o bonitão se encontra com homens às escondidas. O pai, o médico César (Antônio Fagundes), há tempos percebeu que o filho é homossexual, mas não aceita o fato de jeito nenhum e, por isso, finge não saber.

Na vida real também pode acontecer dessa forma. Ao mesmo tempo em que para os filhos é muito difícil contar, para os pais é difícil aceitar. "Eles sentem dificuldade, ainda enorme, e medo, culpa, vergonha. Ainda hoje, ser heterossexual é a norma, não ser heterossexual é anormal. E não só: ser homossexual é doença, é falta de caráter, pecado", avalia Edith Modesto, presidente do GPH - Associação Brasileira de Pais e Mães de Homossexuais e autora do livro "Mãe sempre sabe?".

O preconceito contra homossexuais, defende Edith, é internalizado em todos nós, até nos LGBTs, desde que nascemos. "Os processos de aceitação de pais e de autoaceitação dos filhos são muito semelhantes. A diferença, levando em conta as diferenças de cada família, é que os filhos terão mais tempo para desenvolvê-lo e é exigido dos pais um tempo menor."

É fato que os pais não estão preparados para aceitar prontamente um filho homossexual, mas a missão de acolher os filhos sempre precisa estar presente. "O poder que os pais precisam desenvolver para aceitar as diferenças sexuais e de gênero, entre outras, se compara a uma ‘reinvenção interna’ ainda muito sofrida", diz Edith.

Um momento também complicado para os pais é quando eles desconfiam ou flagram o filho num ato homossexual sem que ele perceba. Edith pensa que guardar um segredo desse tipo é impossível e que, de alguma maneira, esse conhecimento vai transparecer de modo negativo.


Mas acha que os pais não devem colocar os filhos contra a parede. O aconselhável é que eles aguardem um pouco, de forma que as emoções fiquem sob maior controle, para só depois conversarem com o filho ou filha. "De qualquer modo é ótimo se inteirar do assunto e, se possível, pedir ajuda a pessoas especializadas", orienta a presidente do GPH.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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