Comemore o Dia dos Pais com muito amor!

Comemore o Dia dos Pais com muito amor

Iracema e Francisco Sogari com o filho João Filipe.

Domingo é comemorado o Dia dos Pais, data em que as famílias costumam se reunir naquele almoço gostoso e dar presentes para aqueles que se dedicaram aos filhos. É um dia feliz para os responsáveis e seus pequenos. Mas é também um tempo para refletir. Principalmente pela natureza superficial dos relacionamentos entre os pais e filhos que se espalha como uma doença nos dias de hoje.

"Uma recente pesquisa realizada em todo o Brasil com 860 pais de faixas econômicas diversas deixa claro uma diferença entre as concepções educativas e as intervenções concretas deles sobre seus filhos adolescentes. A maioria, 84%, defende que os pais nunca devem acreditar nos filhos. Já 57,4% concordam que os pais têm o direito de dar ‘palpite’ em tudo o que o filho faz", conta o consultor e autor Anderson Cavalcante.

Para ele, esse resultado se deve a uma descrença do responsável em si mesmo, por ter sido ausente na vida da sua criança ou adolescente. A verdade é que os pais têm faltado na vida dos filhos, o que impede que ambos criem vínculos e que confiem uns nos outros. Um exemplo típico são os pais que trabalham demais e não conseguem acompanhar a primeira palavra, o primeiro passo ou beijo de seu filho. A situação piora - e muito - se esse adulto chega em casa e não passa um tempo de qualidade com a criança, adolescente ou jovem, preferindo responder aos e-mails ou assistir algum programa na televisão.

"Sem acompanhamento, o filho não terá condições de desenvolver respeito e admiração pelo seu responsável", diz o consultor. E, de fato, é prejudicial para a família, e até para a sociedade, quando o pequeno não admira seu pai, seja por não conhecê-lo o suficiente para tanto seja porque o adulto não tem muitas atitudes admiráveis.

"Até os sete anos de idade, o caráter da criança é formado, tendo como principais responsáveis a mãe, pai e os professores, nessa ordem", afirma Anderson. Como os menores são como "esponjas" e absorvem tudo como se fosse verdade absoluta até essa idade, é bom vigiar o comportamento dentro de casa. Tudo estará se tornando ensinamento.

Claro que, mesmo nos relacionamentos mais desenvolvidos, existem as situações difíceis, em que o adulto não vai concordar com as escolhas do filho. Isso acontece muito durante a adolescência, época em que o filho começa a questionar tudo e tende a ter comportamentos inusitados e, questionadores.

Aí, o segredo é colocar o amor na frente dos preconceitos e até de uma raiva momentânea e avaliar o caso com cautela. "Quando as opiniões forem muito divergentes, pense que talvez você só adquiriu certa postura por ter vivenciado mais tipos de experiência que seu pequeno. O desafio é respeitarmos e, algumas vezes, apoiarmos nosso filho mesmo não concordando com a escolha que ele fez", sugere Anderson.

Um pai que é exemplo de vida

Mais que um exemplo para a família, o jornalista Francisco Sogari é um exemplo de vida. Após o atropelamento e morte de sua filha Gabriele, de apenas seis anos, ele resolveu tomar uma atitude em vez de viver em luto eterno. Uniu-se à sua esposa, a pedagoga Iracema Sogari, e criou o Instituto Gabi, ONG que atende a 70 crianças e adolescentes deficientes.

"É muito cruel perder um filho, mas eu precisava buscar uma saída para canalizar a dor da perda e fiz isso através de uma ação proativa. Criar o projeto me ajudou muito naquele momento", conta o jornalista.

Ele tem um filho - João Filipe, de 11 anos - e procura dar tempo de qualidade ao pequeno sempre que é possível - normalmente aos finais de semana. Mas, considerando que o pai é aquele que se dedica e se esforça para dar tudo de bom ao filho, ele se sente um pouco "pai" dos pequenos que atende na ONG.

"Acolhemos 70 crianças e adolescentes com deficiência e, sempre que estou com elas, vejo refletido o rosto da minha Gabi. A singeleza das crianças me remete sempre à memória dela. Fisicamente é impossível substituir a presença da minha filha, mas, ao melhorar a qualidade de vida dessas crianças, sinto que estou fazendo por ela", revela.

O outro lado

A relação entre pais e filhos é essencial para que a união da família e para a formação dos pequenos, mas estes também têm sua responsabilidade. "Quando transferimos aos nossos pais a ideia de heroísmo, não podemos impor sobre eles a condição de seres inabaláveis, pois cada pai é um ser como qualquer outro. O que o difere, na verdade, é a forma tão especial como um dia ele se assumiu como pai, como nosso pai", afirma Erika de Souza Bueno, consultora-pedagógica de Língua Portuguesa da empresa Planeta Educação.

No entanto, não se pode negar que os adultos têm a maior parcela dessa responsabilidade, já que são os seres mais maduros e os tutores dos pequenos. Então, é importante que o pai tenha características que despertem a admiração.

"Eu diria que esse pai deve ser íntegro - ter coerência nas suas palavras e ações, falar o que faz e fazer o que diz. Em segundo lugar, precisa ser intenso no que faz, se dedicar ao máximo quando estiver com o filho. E deve fazer tudo isso com muito amor, carinho e sentimento de acolhimento", ensina Anderson, autor do livro "Meu Pai, meu herói".

A presença do responsável é outro ponto essencial. "O mais importante na vida de um pai é sim a presença de um filho. Mas, às vezes, ela não precisa ser física. Eu passo a semana toda praticamente longe do meu filho, mas ele está sempre comigo, no coração", conta Francisco, do Instituto Gabi.


O fundamental é que as duas partes, pais e filhos, estejam cientes de que não são perfeitos e prontos para admitir os erros, perdoar e aprender uns com os outros. A chave para passar por cima das diferenças, ter sensibilidade e até para transformar um incidente doloroso num recomeço - como fez Francisco - é o amor. Com ele, nem pais nem filhos precisam "duelar" para ver seus interesses atendidos. E será um prazer abdicar de alguma coisa para ver o outro feliz.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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