Cirurgia plástica em adolescente

Cirurgia plástica em adolescente

Alcione Andrade tinha 14 anos e, diferente da maioria das amigas, sofria na hora de escolher a melhor roupa. Usava sutiã de enchimento sempre que podia, mas o incômodo da falta de seios não ia embora: ela queria colocar silicone. Como o pai é médico, ajudou a menina na decisão - e até na avaliação da possibilidade. Com ele, Alcione procurou um cirurgião e implantou duas próteses de silicone, de 175 mililitros cada. Hoje, aos 22, não se arrepende da intervenção quando era novinha e diz que o silicone realmente mudou a vida dela.

Alcione não é a única adolescente nessa situação. Segundo Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), foram realizadas entre setembro de 2007 e agosto de 2008 aproximadamente 629 mil plásticas estéticas em todo país - e pelo menos 13% desse total em adolescentes! Isso significa que mais de 100 mil jovens, entre 14 e 18 anos, buscaram por intervenções para mudar a imagem.

Os procedimentos mais procurados por este público são a rinoplastia (plástica de nariz), a mamoplastia redutora ou de aumento, a lipoaspiração, a correção de orelhas de abano e a ginecomastia (correção do volume das mamas masculinas).

Para o médico cirurgião Múcio Leão, Belo Horizonte, entre os motivos que levam a essa procura está a valorização da estética. “A glamourização das imagens e a busca por padrões que nem sempre são alcançáveis levam esses jovens aos consultórios”, diz.

Segundo ele, a idade mínima para uma cirurgia plástica varia e não há regra estabelecida, mas algumas situações devem ser observadas. “Para uma intervenção na mama, por exemplo, o ideal é aguardar até o quarto ano após a primeira menstruação. No nariz, a média ideal é entre 17 e 18 anos, quando o a região já está formada”, explica. As orelhas de abano podem ser corrigidas a partir dos 7 anos, que é quando a cartilagem já está completamente desenvolvida. Para qualquer cirurgia plástica em menores de 18 anos é preciso autorização dos pais. “Eu não gosto nem de consultar sem a presença deles”.

Essa preocupação toda tem explicação. Múcio diz que uma cirurgia plástica é coisa séria e é preciso analisar bem antes de decidir pela intervenção. “É fundamental explicar para o paciente que o processo corretivo, caso ele não goste do resultado no futuro, é sempre mais difícil”, alerta. Ele lembra ainda que, mais importante que indicar um tratamento, é preciso saber contra-indicar. “Em casos de paciente com depressão, sem o desenvolvimento corporal adequado ou motivado por terceiros, como amigos ou namorado, eu prefiro não fazer a cirurgia”, afirma. É fundamental, então, que o profissional avalie a maturidade emocional e física do paciente e explique todos os passos da cirurgia, assim como possíveis complicações.

No meio de tudo isso é preciso considerar que a adolescência é um período marcado por diversas mudanças psicológicas, físicas e comportamentais. E procurar um cirurgião plástico pode sim ajudar inclusive no desenvolvimento social do jovem. “Eu tive pacientes que literalmente se escondiam antes da plástica e hoje são radiantes, sorridentes. Se bem pensada e bem feita, uma cirurgia pode mudar mesmo a vida e a auto-estima de um adolescente”, finaliza.


Antes de decidir pela cirurgia plástica, lembre de procurar um médico credenciado na SBCP. A consulta pode ser feita na internet, no site www.cirurgiaplastica.org.br.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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