Chantagem infantil - fique atenta!

Chantagem infantil  fique atenta

Em lares do mundo todo a cena é clássica: a criança só termina o dever de casa se recebe promessa de presente. Ou apenas come toda comida do prato quando a mãe cede à chantagem de sobremesa em dobro. Poderosas, as crianças usam do ultimato para dobrar os pais mais desavisados.

Essa intimidação - e quase extorsão velada - por parte das crianças é o jeito que muitas acham para garantir aquilo que querem. Aí, vale tudo. Balas, doces, mimos e brinquedos viram moeda de troca. E armas infalíveis pra deixar a birra ainda mais eficiente. Isso não significa que a criança sabe do poder que tem assim, de maneira calculada e consciente.

Segundo a psicóloga Mara Lúcia Madureira, manha e birra são atitudes comuns no mundo das crianças, principalmente quando a coisa desejada não é conseguida. E aí que a faísca explode. "Muitos pais buscam chantagear o pequeno para resolver os problemas. Se ele ficar quietinho ou terminar a lição de casa antes do jantar, poderá jogar duas horas de vídeo-game ou ganhará um chocolate como recompensa", exemplifica. Mas esse não é, nem de longe, o método plausível de educação. "A maneira como os pais disciplinam os filhos, desde os primeiros anos de vida é, em grande parte, determinante do sucesso ou fracasso nas relações futuras da criança", pondera Mara Lúcia. "É nos primeiros anos de vida que se ensina à criança como desenvolver autonomia, a lidar com frustrações, assumir a responsabilidade por seus atos".

E é por isso que comportamentos que envolvam birras e chantagens devem ser ignorados - e somente quando a criança realmente se comportar de maneira adequada, receber elogios como reforço à atitude. Os pequenos precisam sim ouvir como é bacana agir de forma inteligente e educada. Aí vale a recompensa.

Para que a coisa toda não se transforme numa bola de neve, uma rotina bem definida por ajudar, com horários estabelecidos para brincadeiras, estudos, banho e até comer doces e dormir. "E a criança precisa compreender que, fora desse contexto, não adianta forçar a barra que os pais não irão ceder às chantagens".

Os mais espertinhos, que percebem que as chantagens de poder funcionam, precisam ser tratados de maneira diferente pelos pais. "É dever dos adultos, não das crianças, assumir o comando da situação", afirma a psicóloga. "Os pais precisam exercer o comando sem manipulações ou chantagens. Adotar estratégias de manipulação contribui para formação de filhos com personalidades manipuladoras".

Isso significa estabelecer responsabilidades, já aos pequenos, quando o combinado não for cumprido. Se eles não cumprirem o acertado, devem sim ser punidos. "À medida que a criança adquire domínio da linguagem, os pais podem fazer mais uso de orientações verbais e explicações racionais", sugere Mara Lúcia. E aí não vale o pai defender e a mãe brigar. A divergência quanto ao cumprimento das regras pode confundir a cabeça das crianças. "Os valores devem ser repetidos infinitas vezes, até que a criança os internalize e passe a se comportar de maneira adequada".

Mara Lúcia lembra que pais que não valorizam a obediência e são permissivos, adiam o momento de ensinar regras básicas de conduta e convivência social, retardam o aprendizado e aquisição de autonomia e prolongam o período de birras.

Em casos extremos, onde a criança se recusa a obedecer, a dica de Mara Lúcia é ter um local apropriado para que ela permaneça um tempo para refletir sobre suas ações, uma espécie de cantinho pra pensar. "Alguns minutos para crianças pequenas e até meia hora para crianças mais velhas", calcula Mara. "Somente quando estiverem convencidas de seus erros e dispostas a se desculparem por seus atos inadequados é que devem ser liberadas", sugere.


Os pais se enganam quando acreditam que a independência da criança é conquistada pela diminuição do nível de exigências. "É através do diálogo e medidas efetivas que se formam a responsabilidade e autodisciplina dos filhos".

Por Sabrina Passos (MBPress)

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