Caso Vrajamany: como lidar e superar traumas de infância?

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Foto reprodução

No zoológico de Cascavel, no Paraná, o menino Vrajamany, de 11 anos, burlou a segurança e se aproximou da jaula dos felinos. Em uma das brincadeiras, ele foi atacado pelo tigre e sofreu ferimentos graves, tendo seu braço direito amputado. A culpa do acidente logo recaiu sobre o pai que, segundo fontes, consentiu a criança a se aproximar dos felinos.

Deixando os culpados e os julgamentos de lado, essa história mostra uma outra realidade vivida em todas as famílias: imprudências. Elas acontecem (mesmo que em menor escala se comparadas ao caso de Cascavel) e podem gerar traumas. E para quem acompanhou o caso fica a lição de como lidar com elas, mais ainda, como superá-las.

"Embora exista muitas técnicas de terapia para o tratamento dos traumas, eles sempre permanecerão como uma cicatriz. Quem sofre o carregará para sempre, mesmo que com o tempo, se lembre apenas como uma foto desfocada. E a capacidade de superação tanto do menino, como da família depende muito da resiliência de cada um", comenta Lourdes Uhlig, psicóloga e psicoterapeuta. A especialista cita o caso do menino que perdeu o braço, mas a explicação é válida para todos.

Lourdes também usa o acidente no zoológico para relacionar um trauma a uma grande perda; o braço, que lembrará o menino e seus familiares para sempre do acontecido. "Uma das formas de superação, junto ao acompanhamento terapêutico, é a vivencia deste luto", explica a especialista. Segundo ela, tentar suprir esta dor sem refletir sobre ela é como tentar curar uma ferida de fora pra dentro, quando a maior cura é sempre de dentro pra fora. E isso é válido para qualquer caso que deixe uma marca na história da criança.

"A maneira mais indicada das famílias lidarem com os traumas é renunciar ao desejo de arrumar um culpado, refletindo profundamente qual é o aprendizado que está por trás dos acontecimentos. A melhor forma dos pais amenizarem os traumas que causam aos filhos é se unirem diante desta dor, pois o bem e o mal são conceitos construídos socialmente; tudo são experiências necessárias para o desenvolvimento humano", explica.

A psicopedagoga Elizabete Duarte, coordenadora pedagógica do Colégio Nossa Senhora do Morumbi, acredita que a superação está ligada à união da família. "O importante, em qualquer situação, é estarem sempre juntos, dialogar para que as mágoas, sofrimentos e sensações sejam verbalizadas e doar muito carinho e amor. Assim, é possível haver uma forma de digerir situações que, muitas vezes, deixaram marcas para o resto da vida e para todos da família", explica.

E depois de uma imprudência, é possível a família viver em harmonia? "O primeiro passo para que as pessoas envolvidas retomem o contato 'normalmente' (palavra que pode abrir vários questionamentos), é se respeitarem e concordarem com o próprio destino, porque toda e qualquer revolta só tende a aumentar as tensões", finaliza Lourdes.


Para a psicóloga Maria Rocha, coordenadora pedagógica do Colégio Ápice, em São Paulo, o acompanhamento profissional é bastante necessário. "A criança, muitas vezes não fala, mas pensa sobre o trauma. Se negamos ou não falamos nisso, a criança não vai falar também, mas vai se expressar através da agressividade, baixas notas, etc. Por isso, dependendo do tamanho do trauma, é aconselhável um acompanhamento psicoterapêutico", aconselha. Muitas vezes a criança não se expressa através das palavras, mas através dos jogos lúdicos e lá ela encontra uma válvula de escape.

Por Helena Dias

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