Caso Marcelo deixa pais de adolescentes apreensivos

Caso Marcelo deixa pais de adolescentes apreensivo

Foto: Divulgação

Mais uma barbaridade, ainda não confirmada, que pode ter sido feita por um adolescente chocou a população brasileira. Na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo, Marcelo Pesseghini, um menino de 13 anos, poderia ter matado o pai, Luis Marcelo Pesseguini, sargento da Rota, a mãe, Andreia Pesseguini, cabo da PM, a avó e uma tia-avó entre a noite de domingo (04) e a madrugada de segunda-feira (05).

De acordo com investigações da polícia, o adolescente teria dirigido o carro da mãe até a rua da escola, frequentado as aulas na manhã de segunda-feira normalmente, voltado para casa e depois se suicidado. Todos os crimes foram cometidos com a arma da mãe.

Apesar de a polícia não ter concluído o caso, crimes como esse sempre mexem demais com a população, principalmente entre pais e mães. E segundo a psicóloga Regina Elia, diretora da Escola Psicológica Regina Elia e consultora psicológica na educação das crianças e adolescentes, o medo é de que os próprios filhos tenham um comportamento próximo ou semelhante. Mas antes de perder a cabeça e o sono, os pais precisam entender como é o comportamento de um psicopata.

"O psicopata tem uma doença, conhecida como transtorno de personalidade antissocial. Pessoas desse tipo são compostas de 50% de genética e de 50% do reflexo do ambiente onde vivem. Elas costumam ser más demais ou boazinhas demais, aceitando tudo sem reclamar, mas em suas mentes estão planejando uma vingança. Esse garoto, se realmente matou a família toda, parecia ser um psicopata", explica Regina. "Não dá para dizer que qualquer pessoa poderia fazer isso. Se fosse assim, todos nós já teríamos matado alguém. Psicopatia é uma doença!"

A psicopatia não tem cura, mas existe educação, dada por meio de limites que são estabelecidos pelos pais. "Se a criança faz maldades com os animais, maltrata crianças, é preciso ficar atento. Se o adolescente é transgressor ao extremo (faz tudo que vai contra o que a sociedade espera) ou aceita tudo de bom grado é preciso também observar também, pois é natural do jovem querer ultrapassar limites, ser rebelde de alguma forma, questionar", avalia a psicóloga.

Aos 13 anos, idade que Marcelo tinha, é uma fase difícil de aceitar limites. E esse comportamento já é observado na infância. "Um adolescente normal luta pelo que quer. Se a mãe fala que ele não vai para a balada, tira celular, notebook dele, ele tende a se rebelar, bater porta. O psicopata não, ele faz o papel de bonzinho, quando na verdade não está se preocupando com o outro. É uma falsa submissão. Dentro da mente dele um plano está sendo arquitetado", explica Regina.

Outra característica dos psicopatas é a falta de remorso. Matar é um prazer para eles, não há sentimento de culpa. Na opinião da psicóloga o garoto que supostamente matou os pais se matou não porque se arrependeu, mas porque viu que não havia outra saída. "Psicopatas não matam por impulso, eles têm sempre um plano. O fato de Marcelo ter ido à escola normalmente depois do ato deixa a população horrorizada, mas como para um psicopata matar é um prazer, o alimento dele é ver o outro sofrer, ele teria ido a qualquer lugar, desde a escola a uma festa."

Regina pensa que Marcelo pode ser definido como um psicopata imaturo, porque tinha apenas 13 anos e ainda contou para o amiguinho o que queria fazer: matar os pais, virar matador de aluguel e morar numa casa abandonada. "O psicopata adulto não conta para ninguém o que vai fazer. Ele pode ajudar você a carregar a sua sacola de compras e mais tarde matar alguém, por exemplo".

O público em geral busca agora é respostas para entender o caso, mas muitas delas podem não aparecer. O que passava pela mente do garoto, se ele era mesmo um psicopata, se tirou a própria vida por culpa, por qual motivo ele não matou também os colegas da escola são algumas questões que podem ficar sem explicação. E quem exerce hoje os papeis de pai e mãe quer mais respostas além dessas: quer ser tranquilizado, por ter medo de que isso aconteça dentro da própria casa.


Mas Regina procura tranqüilizar: se os pais conhecem bem o filho que tem, acompanham bem de perto o desenvolvimento dele e impõe limites nas horas certas, sabe o que ele é capaz de fazer. "Entre os 13 e os 18 anos os adolescentes estão reafirmando valores, e seus comportamentos precisam ser muito bem avaliados. Nessa fase eles andam em grupos. Então conheça bem quem são os integrantes, o que fazem, o que pensam. Se o seu filho fica 24 horas preso no quarto, procura se aproximar de alguma forma. Se você conhece bem o comportamento do seu filho, não precisa perder o sono", diz.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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