Caso Bernardo: como identificar que a criança pede ajuda?

vitima de abuso criança

Foto - Shutterstock

O caso Bernardo traz a tona mais uma vez algo que muitas pessoas se perguntam: como perceber o abuso infantil? Para a psicóloga especialista em comportamento, Dra. Letícia Guedes, é por meio do comportamento que podemos decifrar o estado emocional dos pequenos.

"Cada criança possui uma forma distinta de demonstrar problemas, algumas vão ficar mais quietas e caladas e outras se tornarão mais agressivas e impulsivas, pode ser que apresentem dificuldade escolar e perda de vontade em realizar as atividades que antes geravam prazer", relata. Portanto, adultos que estiverem próximos a crianças devem ficar alertas a certos sinais.

Dependendo da conduta do pequeno, se muito distinta do habitual, tudo pode ser um pedido de socorro. "A criança pode começar a xingar, chorar, bater nos colegas, responder aos pais, dentre outros. É importante salientar que a forma de lidar com o problema será diferente e única para cada criança. Toda situação que contraria ao usual deve ser analisada para que não se torne um problema mais grave", ressalta a psicóloga.

Como a criança ou adolescente passa grande parte do seu dia na escola, nada melhor do que ter profissionais por lá que estejam atentos ao seu comportamento também. Segundo a coordenadora pedagógica da Escola Atuação, Danieli Cristina Machado, "o professor pode perceber que aquela criança alegre, falante e participativa de repente se tornou mais apática e triste. Isso não necessariamente pode estar relacionado a problemas familiares, mas pode ser um sintoma que algo não está bem".

Danieli relatou que os sinais mais comuns nas crianças pequenas são a manha, o choro, a inquietude e estarem sempre assustadas. Já nas mais crescidinhas é possível ocorrer a questão da agressividade verbal e física, o descaso com tarefas, horários, preocupação com os cuidados do corpo, a agressão voltada ao adulto, a falta de interesse e a tristeza.

Além dos alertas psicológicos como fobias, medos e dificuldade na aprendizagem, podemos notar também sintomas físicos como ganha ou perda grande de peso, dores de cabeça, vômitos, dificuldade para dormir e/ou pesadelos frequentes, diarréia, dificuldade de concentração, calor intenso e inquietação.

A internet também é um fator que deve ser observado. Isso porque a criança pode se deixar levar pelo vício em redes sociais ou jogos para fugir do mundo real e de seus problemas, o que pode agregar a criança a frequentar grupos com mensagens e intenções negativas.

Para que situações como essa tenham um desfecho positivo, a coordenadora pontua: "É preciso que a escola e a família estejam trabalhando em parceria. Nesses momentos, a criança precisa se sentir acolhida, segura. Sua rotina não deve ser prejudicada e ela precisa saber que tem um lugar e pessoas que ela pode contar. Muitas vezes o encaminhamento para especialistas se torna necessário".

A psicóloga complementa: "O melhor e mais adequado a se fazer nesses casos é conduzir a criança a um profissional capacitado e apto para a função. Desse modo, a família deve expor a situação ao psicólogo e, após iniciar a coleta de dados, o profissional avaliará e conduzirá sessões com a própria criança, visando auxiliá-la a sair daquela situação que trás incomodo a ela e a família".

Entenda o Caso Bernardo

Bernardo Uglione Boldrini morreu aos 11 anos, em Três Passos, no Rio Grande do Sul, após receber uma injeção letal. A polícia suspeita do pai do menino, Leandro Boldrini, da madrasta, Graciele Boldrini, e da amiga do casal, Edelvania Wirganovicz - todos presos.

O estudante chegou a procurar o Fórum da cidade para reclamar dos problemas que sofria em casa e foi atendido, tanto que teria uma nova audiência em 13 de maio. Mas a atitude do garoto foi excepcional. Não podemos contar que todas as crianças sempre procurarão ajuda após sofrer graves abusos, sejam verbais ou físicos, entre a família. Afinal, um dos principais sinais em casos como esse é o de retração da vítima.


Por Alessandra Vespa (MBPress)

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