Cartunista cria quadrinhos com personagens cadeirantes

Quadrinhos com personagens cadeirantes

Divulgação

Toda criança adora quadrinhos, ainda mais quando se identifica com as personagens que participam das aventuras. Entre o público com mobilidade reduzida não é diferente. Certo disso, o cartunista Victor Klier criou a Turma da Febeca, uma história que tem como personagens principais crianças iguais a todas as outras, mas com alguma limitação de movimento.

O criador da Turma da Febeca afirma que buscou inspiração em meninas reais e que, assim como a maioria das pessoas que não tem deficiência, não costumava prestar atenção nas limitações dessas crianças. No início, Victor queria apenas criar personagens diferentes do comum. "Uma das minhas ideias foi criar uma personagem em cadeira de rodas (eu ainda nem conhecia o termo cadeirante) e que também fosse protagonista das histórias", afirma Victor. Quando começou o processo de apuração, as coisas mudaram.

Pesquisando em comunidades virtuais, o cartunista conheceu Fernanda Willeman e Rebeca Sehnem. As duas garotas influenciaram tanto o trabalho que serviram de inspiração para o nome da personagem principal, a Febeca. Fernanda mora no Mato Grosso e tem 18 anos. Desde os sete é paraplégica. O motivo da lesão na medula foi um acidente envolvendo uma arma de fogo. Rebeca, 16 anos, perdeu os movimentos do quadril para baixo após uma anoxia medular - falta de oxigênio na medula.

Victor lembra que, além de Rebeca e Fernanda, outras garotas também foram muito importantes no desenvolvimento do projeto. Ele cita como exemplo Janynha Alcântara e Camila Mancini. "Eu procuro produzir a realidade que elas vivem, não por meio dos problemas enfrentados pela falta de acessibilidade, mas pelas diversões e aventuras que acabam passando. Quero demonstrar, sem exageros, que são jovens como quaisquer outros", afirma o cartunista.

Quadrinhos com personagens cadeirantes

Victor Klier e Camila Mancini. Foto/Divulgação

Victor acredita que seu projeto poderia ser útil em sala de aula. "Para alunos sem deficiência os professores mostrariam como a deficiência pode ser apenas um detalhe, uma pequena diferença e que o deficiente tem sentimentos e gosta das mesmas coisas que nós", ressalta o idealizador. "Já o impacto do projeto sobre jovens com deficiência é na melhora da autoestima, eles se reconhecem nas personagens e se veem integrados no meio onde vivem", completa.


Infelizmente, o projeto de Victor tem dificuldades em conseguir apoio: "Desde 2006, quando criei a Turma da Febeca, encontro barreiras para encontrar alguém interessado em publicar histórias dessa turminha. Poucas coisas foram divulgadas de lá para cá", desabafa. "Até agora, só consegui duas cartilhas, que foram distribuídas de forma muito limitada, a publicação de algumas histórias numa revista especializada e agora uma tirinha mensal num jornal carioca", conclui o cartunista.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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