Brinquedos: quando a quantidade dá lugar à qualidade

Brinquedos quando a quantidade dá lugar à qualidad

Quarto de criança sem brinquedo é estranho, não é? Mas diante de um mundo tão capitalista e consumista, como identificar o exagero? É possível definir uma quantidade certa de objetos para que os filhos possam realmente brincar e criar um vínculo saudável?

Não há fórmula mágica. Mas quem precisa perceber que passou dos limites sãos os pais, uma vez que a criança é a parte mais prejudicada diante do excesso de brinquedos. Ela passa a ficar ansiosa por não saber como aproveitar todos eles. "O filho recebe um brinquedo e já fica esperando o próximo. Com, isso, o elo e o zelo que muitos pais tinham com seus brinquedos passam a ser características inexistentes nas crianças de hoje", comenta a psicóloga e psicoterapeuta familiar Ana Pozza.

A ansiedade da criança não se deve apenas à dificuldade em administrar a imensa quantidade de brinquedos, mas em retribuir aos pais na mesma moeda. "Isso acontece muitas vezes quando há um combinado, ou seja, a criança só recebe um brinquedo se alcançar tal objetivo. Em determinados momentos essa medida é importante para impor limites e dar noção de responsabilidade, mas o presente não precisa ser sempre uma moeda de troca", alerta. "Em alguns casos ela pode ficar até depressiva, caso não alcance o objetivo pré-estabelecido".

A especialista afirma que essa quantidade desmedida de brinquedos tem a ver com os tempos atuais. Os pais não têm mais tempo de brincar com os filhos e tentam diminuir a culpa com bens materiais. Só que com isso, deixam buracos na educação da criança, tornando-a consumista e birrenta.

"Antes de dar tudo para a criança, o ideal é conversar com elas sobre a importância do brinquedo que tanto querem. Estabeleça uma data especial - aniversário, Natal ou Dia da Criança - para dar o presente. Elas vão desejar tanto o mimo, que quando o receberem terão um apego diferenciado, vão cuidar melhor dele", sugere. Outra forma de reduzir o lado consumista da criança é estimular a doação. Ou seja, se ela quiser um brinquedo novo terá que se desfazer de um usado.

Dra. Ana Pozza lembra também que o excesso não está somente no número de brinquedos, mas também na quantidade de estímulos provocados por ele. "Eles tiram o ‘faz de conta’ e não aguçam a criatividade dos pequeninos, fazendo com que o interesse se perca mais facilmente. Uma boneca que anda e fala, por exemplo, impede que a menina ‘dê vida ao objeto’, invente seus movimentos, fale por ela, recrie por meio da boneca o que ela o mundo em que vive", defende. "Até um quarto bagunçado limita o desenvolvimento da criança. Ela não acha o que quer, larga um brinquedo, pega outro e não cria relação com eles".


Um jeito bacana de administrar a quantidade de brinquedos e ajudar a criança a criar vínculos mais duradouros com ele é os pais participarem das brincadeiras, da arrumação do quarto e da seleção dos brinquedos a serem doados para dar lugar aos novos. "Os genitores dão aos filhos os significados das coisas. E como a criança não sabe o que é muito ou pouco, precisa da orientação dos mais velhos. Se os pais trocam de celular todo mês, a criança também vai querer trocar de brinquedo periodicamente. Os filhos são reflexos do meio em que vivem", ressalta Dra. Ana.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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