Brinquedos não substituem carinho e atenção

Presentear demais

Não há nada mais especial para os pais do que o brilho nos olhos das crianças, quando recebem aquele pacote enfeitado. Melhor ainda quando o brilho é múltiplo, diretamente proporcional a quantidade de presentes distribuídos. Mas presentear demais pode estragar os pequenos - e, ao contrário do que muitos pais imaginam, não substitui colo, carinho e atenção.

A pedagoga Flávia Rubick diz que muitos pais, para suprir a ausência, acreditam que comprando o que os filhos sonham e querem, irão preencher o vazio de suas presenças. “Eles devem ser orientados a aproveitar o pouco tempo que dispõem com suas crianças com qualidade, ou seja, com brincadeiras, passeios e muito diálogo”, sugere.

Segundo ela, o excesso de presentes pode sim fazer mal às crianças. O ideal é que elas ganhem presentes apenas em datas especiais, como aniversário, Dia das Crianças e Natal. “Se não houverem limites estabelecidos, a criança poderá aprender que, para tudo o que faz, é merecedora de compensações”, completa Flávia, que é coordenadora educacional do Colégio Expoente, em Curitiba, PR.

Presentear demais, mesmo com toda boa intenção, pode transformar seu anjinho em uma criaturinha mimada e impossível de conviver. “A criança que não tem limite não sabe ouvir e respeitar os adultos faz birras e chantagens emocionais e resolve suas frustrações por meio do choro com freqüência”. Criando um ser mimado, você também potencializa um ser humano inseguro, que não aprende a confiar em si e não consegue lidar com as frustrações naturais ao longo da vida.

O ideal é dialogar sempre e mostrar à criança as diferentes realidades sociais, fazendo-a perceber que nem todas as pessoas têm as mesmas oportunidades e privilégios. “Explicar a importância do dinheiro também é fundamental. Sugere-se, nesse caso, que se proponha à criança uma reorganização de seus brinquedos e, em consequência, uma doação às crianças mais carentes”, indica a pedagoga.

É importante frisar que uma criança não nasce consumista - ela é automaticamente inserida num contexto cultural de consumo exacerbado. Então, cabe à família orientar e dar os limites necessários para a formação de um adulto saudável e consciente. “Acertar na educação dos filhos é uma tarefa complexa. Depende tanto do que os pais sentem, quanto dos seus valores, atitudes e ações”, diz Flávia. Estabelecer limites e educar com ternura e vigor é a solução para uma educação equilibrada e saudável.

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Por Sabrina Passos (MBPress)

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