Brigas dentro das escolas: como reverter a situação?

Brigas dentro das escolas como reverter a situação

Foto: Corbis

Volta e meia o noticiário nos traz informações sobre brigas entre alunos dentro das dependências da escola. De socos e pontapés a tiros e facadas, os adolescentes vêm perdendo a noção de limite, deixando os professores e demais colegas de classe cada vez mais assustados.

O que se percebe é que as mulheres estão ficando mais violentas. Não em relação aos meninos, mas quando se compara o comportamento delas atualmente com o de outras décadas, percebe-se o quanto as adolescentes pioraram. Quem fez essa constatação foi a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), Quézia Bombonatto. A ABPp é uma instituição que reúne especialistas em educação, comportamento e psicologia.

O caso mais recente aconteceu na escola estadual Padre José Narciso Vieira Ehrenberg, em Paulínia, interior de São Paulo. Duas alunas do ensino médio brigaram dentro da sala de aula e uma delas foi atingida por uma cadeira. "Os alunos já estão vindo sem limites de casa. Quando chegam à escola e se deparam com regras, simplesmente não cumprem, não as aceitam. De algumas décadas para cá, o limite tem sido considerado algo repressor. Portanto, o professor não pode ser considerado o único culpado pela indisciplina dos adolescentes", defende.

Diante da distorcida interpretação do conceito de limite, a função do professor se perdeu. Confunde-se autoridade com autoritarismo, o Estado não valoriza o papel do docente e a imagem de respeito que este profissional tinha foi se deteriorando ao longo dos anos. Outro ponto facilitador citado por Quézia é a progressão continuada. O aluno sabe que pode fazer e falar o que quiser, já que não será punido no final do ano.

"É fato que esses alunos precisam de cuidado. Eles vão testando o professor para saber até onde podem ir, e estão usando métodos cada vez mais ousados, agressivos", comenta a presidente da ABPp. "Já vi casos de alunos pegarem o celular da mão da diretora e jogar no chão. De mães xingarem professores na frente do filho! A relação entre família e escola empobreceu. É necessário rever os limites que são dados dentro e fora das escolas."

Quando a briga começa dentro da sala de aula, o certo seria o professor exercer sua autoridade e apartá-la. Se não conseguir, deve procurar ajuda. Isso só não acontece todas as vezes, porque o professor se sente ameaçado. Não atua por medo, pois se os alunos não reagem com agressões verbais ou até mesmo físicas contra o docente depois, tomam outras atitudes, como riscar o carro ou esvaziar o pneu. "Ao mesmo tempo, se o professor não tomar uma atitude logo na primeira briga, não terá pulso para conter os alunos nas ocorrências seguintes", pensa a presidente.

A escola não tem como tomar conta dos alunos fora de suas dependências, mas se a agressão entre alunos acontece na frente ou nas ruas próximas à instituição, a diretoria pode intervir, dando orientação disciplinar pedagógica aos envolvidos. Atitudes como suspensão estão descartadas, mesmo que a ocorrência seja dentro da escola. Isso porque a escola não pode tirar do aluno o direito de estudar, de aprender.


"Pais e alunos podem se unir para reverter a situação, mas nas reuniões dentro das escolas apenas 1% dos pais comparecem", lamenta Quézia. "Os responsáveis pelo aluno precisam de orientação também, saber como impor limites aos filhos. Caso contrário eles só vão perceber a gravidade dessas agressões quando elas ocorrerem dentro de casa".

A presidente avalia que numa escola valorizada, onde é mais difícil de se conseguir uma vaga, os índices de agressão são menores. Os alunos têm orgulho de estudar nestes locais e é possível controlá-los por meio de atitudes disciplinatórias. "O mesmo percebe-se no âmbito familiar. Pais que dão atenção e limites têm filhos menos agressivos e mais felizes."

Por Juliana Falcão (MBPress)

Comente