Birra, a arte da manipulação

Birra a arte da manipulação

Sentar no chão e espernear, chorar incessantemente, berrar, xingar, bater, chutar e tentar de qualquer forma conseguir o que quer. Esse é o comportamento de muitas crianças que se utilizam da birra como arma para manipularem os pais. Se você sofre com isso, saiba que não é a única.

Cada vez que uma criança ouve um não, se não está acostumada, vai tentar contornar a situação - desencadeando desagradáveis situações e levando os pais ao desespero. “Não se deve dar crédito ao que o filho pede usando a birra como instrumento de conquista. Deve-se deixar bem claro que, enquanto ele estiver agindo assim, não conseguirá nada, apenas prorrogará uma situação desagradável para todos”, afirma a psicóloga e terapeuta familiar Marina Vasconcellos, de São Paulo.

Para os pais, a parte mais difícil de controlar uma crise de birra é ter que dizer não. E isso, normalmente, causa mais revolta e dor de cabeça. Para não prolongar a situação, os pais acabam cedendo à vontade dos filhos, passando o controle às mãos da criança. “Quando o ‘não’ tem que ser dito, é preciso bancar. As birras certamente devem ser cortadas e não incentivadas. Os filhos precisam saber que quem tem a autoridade e a palavra final são os pais, e não eles. Portanto, se a intenção é cortar as birras, o melhor a fazer é realmente não se deixar levar por elas”, alerta a profissional.

Para sair dessa enrascada, Marina propõe uma pequena solução: trocas. Se você der alguma coisa em troca do silêncio e da obediência da criança ela percebe que sempre que tiver que fazer um escândalo para conseguir algo, sairá perdendo de alguma outra forma. “O filho não pode sair da situação achando que venceu os pais, pois isso o alimentaria a continuar com seu comportamento birrento. Ele deve sentir que quando faz isso, perde algo”, ressalta.

Para explicar que essas atitudes não são bem vistas, a psicóloga indica o diálogo. Ter uma conversa franca, deixando claro quem manda, dando exemplos e ensinando a elas que não é assim que se consegue algo é uma boa pedida.


Agora, quando a situação sai do controle e os pais não acham alternativa, o castigo pode funcionar. “Se ela não entende apenas com o diálogo, o castigo vai forçá-la a perceber que aquele comportamento não é bem vindo e traz consequências ruins. A criança deve, desde cedo, sentir e assumir a responsabilidade pelos atos que pratica, e o castigo é um meio de fazê-la dar-se conta disso”, finaliza a terapeuta.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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