Big Brother do Varejo

Big Brother do Varejo

Cada vez mais as pessoas que circulam pelos supermercados são cobiçadas pelas grandes redes de varejo. Sempre em busca do aumento do potencial de compras, os lojistas estão de olho em todos os movimentos e hábitos desses consumidores.

Tanto que a forma que eles caminham entre as gôndolas, os produtos que mais olham nas prateleiras e quanto tempo demoram em cada seção é produto de análise de especialistas.

“Normalmente quem realiza esse tipo de monitoramento são grandes fornecedores de produtos e não os lojistas”, explica Martinho Paiva Moreira, vice-presidente de comunicação da Associação Paulista de Supermercados - APAS. “Ações como essa não são para fidelização de clientes e sim apenas para observar o comportamento do consumidor durante as compras”, completa.

Esse super monitoramento tem apenas um propósito: aumento nas vendas. “O processo de compras não é racional, por isso, qualquer pequena mudança pode agir no psicológico do consumidor o fazendo comprar mais”, comenta Martinho.

Ao contrário do simples monitoramento por câmeras, o trabalho de inteligência competitiva realizado pelas grandes redes busca fidelizar clientes e traçar os perfis de consumo dessas pessoas. Um dos principais meios utilizados pelos supermercados é através dos cartões de fidelidade.

Com esses cartões as grandes redes realizam um cadastro dos consumidores por meio de um monitoramento das compras feitas por eles. Depois que o perfil desse cliente é traçado, os supermercados usam essas informações de consumo para indicar promoções mais adequadas para essa pessoa.

“Se um homem utilizou o cartão para comprar fralda e cerveja, por exemplo, sabemos que ele teria interesse em receber descontos e promoções para essas categorias de produtos”, fala Martinho.

Essas informações são tão detalhadas que as redes varejistas dividem os consumidores em grupos de interesse. Depois as ações são pautadas individualmente ou por meio desses perfis coletivos. Martinho comenta que as informações dos clientes só são utilizadas se os mesmos autorizarem, pois não pode haver invasão de privacidade.


Por Talita Boros (MBPress)

Comente