Bichos de estimação - ter ou não ter, eis a questão

Bichos de estimação  ter ou não ter eis a questão

Difícil ver uma criança que nunca os tenha desejado. Afinal, os bichinhos de estimação são sinônimos de companheirismo, aventura, alegria, responsabilidade e muita, mas muita amizade.

Apesar disso, a publicitária Ana surpreendeu-se no último Natal, quando seu filho de 6 anos pediu ao Papai Noel um cachorrinho. "Na verdade ele queria algum tipo de mascote, então podia ser desde um papagaio até uma tartaruga. Mas eu e meu marido achamos que ainda era muito cedo para que ele ganhasse um animalzinho doméstico e, no final, todo o trabalho e responsabilidade acabariam em cima de nós, que não temos tempo para nos dedicarmos a isso".

De fato, diz a psicóloga Natércia Tiba, antes de se decidir em comprar ou não um bicho de estimação, é preciso levar uma série de circunstâncias em consideração já que não se deve jogar a responsabilidade de cuidar de um outro ser totalmente em cima de uma criança.

"Por mais que o bichinho seja desejado pela criança, a decisão deve ser tomada pela família inteira, pois todos participarão dos cuidados. Prova disso está na resposta à seguinte pergunta: ‘meu filho tem idade suficiente para passear sozinho com um cachorrinho pelas ruas da cidade?’" Natércia ressalta que os pais são os modelos das crianças e, por isso, não devem passar a noção de insatisfação em cuidar dos animais, o que refletiria o descaso em relação a outro ser. "O cachorrinho, por exemplo, demora um pouco para se adaptar. Faz xixi fora do lugar, rói os móveis, late de noite. Se não houver tolerância de todos em casa não será um bom negócio ficar com ele".

Mas como tudo na vida tem seu lado bom, uma vez decidido pela família adquirir um bicho de estimação e planejando a estrutura de cuidados e atenção com o mascotinho, o desenvolvimento que a convivência com o animal pode trazer à criança é indescritível. Segundo a psicóloga, cada bichinho tem sua particularidade, mas de uma maneira geral, passam a noção de limites, cuidados, higiene e até o aprendizado em lidar com perdas e frustrações.

"As crianças podem começar a aprender sobre expressões de afeto e carinho por meios dos animais domésticos. No caso dos cachorros, que têm um nível de interação imenso com os homens, isso é muito claro. Elas também começam a se preocupar com o bem-estar do bichinho, que tem suas necessidades, como comer, passear, descansar e começam a cuidar deles, dedicando-se ao outro".


No caso de crianças que não têm bichos de estimação na casa em que moram quando nascem, Natércia Tiba recomenda aos pais que esperem o filho completar ao menos 4 anos antes de adquirir um mascote. "Não que antes disso seja ruim, mas antes dos 4, a criança não tem muito controle de suas emoções, é impulsiva e pode acabar irritando o animal com excessos de carinho ou raiva. A partir dessa idade, porém, ela começa a ter mais noção da expressão de seus sentimentos e levanta hipóteses sobre causas e consequências, evitando situações de risco".

Por Adriana Cocco

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