Avô e pai adotivo - conheça a história de Dr Benedito

Avó e pai adotivo

Aquela figura de pai, que chega em casa somente à noite, se relaciona pouco com os filhos e só se preocupa com o sustento da família mudou muito ao longo dos anos. Dispostos a contribuir na formação do caráter das crianças, esses homens têm apostado firmemente na paternidade, por dom, desejo e também por vontade de quebrar de vez o estereótipo que ainda existe sobre a participação deles na criação dos filhos.

Neste domingo será comemorado o Dia dos Pais. E nada melhor do que aproveitar a data para provar que os homens estão mais participativos sim. Inclusive quando o assunto é adoção. Segundo a psicóloga Soraya Pereira, presidente da ONG Aconchego, o homem, quando toma a decisão de adotar ou ser pai é mais consciente.

"Ele sabe do seu desejo e da batalha para realizá-lo e o que temos percebido nesses 15 anos de trabalho neste segmento é um desempenho cada vez melhor e mais proveitoso desses pais". E diferente do que muita gente pensa, esses homens preferem as adoções tardias, ou seja, não procuram recém-nascidos. "Eles são mais tolerantes e investem no aprendizado da paternidade com muito carinho e disciplina", afirma Dra. Soraya.

Um desses pais é o médico Benedito, de 66 anos. Pai de quatro filhos adultos e avô de seis netos, ele conheceu João Paulo, na época aparentando um ou dois anos, no corredor do Hospital Universitário de Brasília (HUB), enquanto fazia trabalhos voluntários no local. "Veio ao meu encontro uma criança correndo, trôpega, cabelos ralos, desnutrida, com colostomia, sonda na bexiga e arrastando uma bolsa coletora de urina. Ele me abraçou e disse: ‘papai’", lembra.


Dr. Benedito abraçou a vida daquela criança e ao lado dele suportou as inúmeras intervenções cirúrgicas e sofrimento por conta da doença do filho. Hoje João Paulo é um adolescente. "Decididamente não sou a mesma pessoa. A cada momento me convenço de que acertei em aceitar aquele convite. Ele tem me ensinado o amor incondicional. O amor é terapêutico na medida em que cura nossos medos, dá verdadeiro sentido à vida", reflete o médico.

Por Juliana Falcão (MBPress)

Comente