Aulas de autodefesa para meninas, você concorda?

Aulas de autodefesa para meninas você concorda

Foto: Tomas Rodriguez/Corbis

É evidente que a cada dia que passa o mundo está ficando mais violento. Infelizmente, todos estão sujeitos a agressões, assaltos etc. Então, saber se defender parece que está virando questão de sobrevivência para muita gente. E o pior disso é que até as crianças são vítimas potenciais, o que deixa muitos pais preocupados.

Normalmente, os meninos já nascem com um instinto mais forte de defesa, enquanto as meninas costumam considerar a prática de lutas uma atividade masculina. No entanto, essa postura está mudando. Percebendo a necessidade de suas filhas saberem se proteger, muitos pais estão colocando suas meninas em aulas de autodefesa.

Já existem academias próprias para crianças que ensinam elas se protegerem do mundo louco de hoje. Dessa forma, os pais podem ficar um pouco mais tranquilos, mesmo que seja com relação a situações não tão graves, como desentendimentos com coleguinhas. Mas, sempre lembrando que não se trata de um estímulo a brigas, mas formas de se defender.

O professor Luciano Imoto conta como funcionam as aulas. "Para o público infantil, há um sistema de treinamento mais lúdico e dinâmico, que são semelhantes aos treinos dos lutadores de MMA (Mixed Martial Arts, em português, Artes Marciais Mistas). Porém, ele atende necessidades diferenciadas, como a forma de reagir diante de tentativas de raptos, agressões e bullying."

Ele acrescenta que é preciso esquecer a divisão entre meninas e meninos. "Na hora da luta todos são iguais. A violência não escolhe suas vítimas por sexo, tamanho ou idade e, por isso, todos devem aprender e treinar juntos." Mas, realmente, os garotos ainda são a grande maioria. "Em geral, treinam irmãos e irmãs juntos, com uma proporção maior de meninos. Uma das razões mais prováveis é que eles estão mais sujeitos a bullying na escola", pontua Luciano.

Quanto à postura dos pais, o professor ressalta a importância de enxergarem a necessidade de seus filhos se protegerem. "Pai e mãe responsáveis sabem que não poderão estar sempre ao lado das crianças. Dessa forma, procurar um especialista competente na área de autodefesa é a atitude mais natural e coerente com a realidade da vida urbana. Como costumo dizer, é preciso evitar a mentalidade de só colocar trancas depois que a porta foi arrombada. Pais conscientes dos perigos que rondam seus filhos vão agir preventivamente."

Luciano diz que, ao contrário dos esportes de combate e das artes marciais tradicionais, as aulas de autodefesa têm como foco exclusivamente evitar e desestimular agressões. E quando faltar alternativas, neutralizar a ameaça. "Essa ação proativa exige o aprendizado de técnicas que ataquem regiões vulneráveis do corpo humano que sejam fáceis de aplicar e capazes de causar uma lesão debilitante no agressor."


Mas, vale lembrar que é essencial explicar para os filhos a diferença de se proteger e de brigar. "É vital conscientizar a criança de que certos golpes e movimentos só servem para machucar gravemente outras pessoas em determinadas situações de violência. Em seguida, deve-se demonstrar alguns exemplos para que ela possa identificá-las e reagir do jeito certo. Assim, entende que a única função dos golpes que está aprendendo é salvar a sua própria vida, machucando seriamente apenas alguém que tem a intenção de sequestrá-la ou molestá-la", finaliza o professor.

Por Marisa Walsick (MBPress)

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