Asma não tem cura, mas tem controle

Asma não tem cura mas tem controle

Quem tem filhos sabe: os pequenos sofrem a cada oscilação no tempo, especialmente quando o ar fica mais seco, com a chegada do inverno. Se as crianças tiverem doenças respiratórias, como a asma, pior ainda. É nas estações mais frias que as crises e o mal estar aumentam.

As mudanças climáticas são, de fato, um dos fatores desencadeantes das crises de asma, além dos alérgenos (poeira, ácaros, fungos, pelos e epitélios de animais), infecções e poluição. Essas condições agravam os sintomas devido à natureza da asma. "Ela pode ser definida como uma doença inflamatória crônica que atinge os brônquios. Manifesta-se clinicamente com sintomas de falta de ar, chiado no peito e tosse que pode apresentar-se em crises ou de forma persistente", define a pediatra e alergista Fátima Rodrigues Fernandes, do Hospital Infantil Sabará.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), esse mal atinge cerca de 100 a 150 milhões de pessoas no planeta. Nas crianças, a situação é alarmante: acredita-se que 20% delas sejam afetadas pela doença. Como a prevalência da asma é maior durante a infância, o cuidado por parte dos pais se torna essencial.

Uma informação importante é que, para o desenvolvimento da asma, é necessária uma combinação de predisposição genética e fatores ambientais, o que faz dela um mal crônico. "A tendência genética não pode ser alterada, mas podemos atuar nos desencadeantes ambientais. Isto não promove a cura definitiva, mas permite o controle da doença, lançando mão do controle ambiental e medicamentos de crise e/ou profiláticos", explica Fátima.

Para iniciar o tratamento - que inclui o controle dos desencadeantes, o tratamento em si e a prevenção das crises -, os responsáveis pelo pequeno devem procurar um especialista disposto a acompanhar o paciente até que as crises se estabilizem. "Em primeiro lugar, é necessário confirmar o diagnóstico da doença e verificar o grau de intensidade e frequência da mesma. Em função desta classificação, será orientado o tratamento mais indicado", ensina a pediatra. Quando a causa do problema é a alergia, por exemplo, existe a possibilidade de promover a hiposensibilização através de vacinas alergênicas (imunoterapia específica para o alérgeno). "Os tratamentos contra doença evoluíram nos últimos dez anos, mas a maioria dos asmáticos procura auxílio em momentos de crise somente. Um erro que atrapalha o cotidiano e o bem-estar desses pacientes e aumenta o número de internações, faltas na escola e no trabalho. E ainda pode ser fatal em alguns casos", afirma.

O próximo passo é colocar as orientações do médico em prática o ano todo. E, para ter sucesso, é fundamental que o paciente não seja exposto a fatores como fumaça de cigarro, alérgenos e ambientes úmidos e pouco ensolarados. A retirada da poeira e a limpeza do colchão, da casa, dos bonecos de pelúcia, dos cobertores, das cortinas e dos edredons são importantes para o controle de ácaros e fungos. Tais cuidados são tão importantes quanto os remédios - drogas para alívio das crises (broncodilatadores) e anti-inflamatórios (corticóides) que, segundo a especialista, devem ser administrados preferencialmente por via inalatória (sprays ou pó inalável).

Caso seu filho ainda seja um bebê, ao contrário do que se acreditava há alguns anos, ele também pode desenvolver a asma, e tem predisposição a sofrer com crises mais acentuadas. Por isso, "diante de evidência de crise, os bebês devem ser cuidadosamente avaliados e tratados. Também é muito importante manter hábitos de higiene adequados, alimentação apropriada (estimular o aleitamento materno) e evitar os desencadeantes", alerta Fátima.

Apesar da necessidade de tratamento constante, os pais devem ajudar os filhos que sofrem de asma a terem uma vida normal e acabar com o estigma de que essa doença deixa os afetados incapacitados. Eles podem "incentivar a prática de exercícios físicos com medidas preventivas adequadas e estimular o convívio social, deixando claro que a asma é uma doença que pode ser controlada", diz a alergista. A prática de esporte, por exemplo, desenvolve a capacidade pulmonar, fortalece os músculos da caixa torácica e é importante para superar o bronco-espasmo na hora da crise. "Mas o ideal é que antes de optar pelo esporte, haja uma consulta médica".


O problema mais grave é de quem sofre da doença e não a encara como crônica. "São os que não seguem o tratamento ao longo do ano, de maneira preventiva, que costumam se desesperar na crise. É importante que os pais reconheçam que a asma, assim como a diabetes, é uma doença crônica que necessita de tratamento permanente", finaliza a médica.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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