As incertezas da mulher workaholic

As incertezas da mulher workaholic

Foto: Divulgação Tv Globo

Giovanna Antonelli está se destacando como a durona delegada Helô na novela Salve Jorge. Além de colocar em evidência o tráfico de mulheres e, assim, ajudar muitas vítimas desse crime, por meio da personagem, ela também coloca em discussão outro assunto: a mulher workaholic e o seu relacionamento com a mimada Drika.

De acordo com Ramy Arany, terapeuta comportamental, a mulher workaholic tem uma supervalorização de seu trabalho, colocando-o como essencial, acima dos valores voltados à família, ao casamento, aos filhos e também à vida social. Ela prioriza sua carreira profissional, sua independência financeira e, sobretudo, sua realização e competência.

"Outro ponto importante é a crença de que seu tempo é ‘pouco’ e que necessita destiná-lo a sua carreira, sacrificando, assim, outras áreas também essenciais de sua vida, por exemplo, o desenvolvimento pessoal e espiritual", pontua a especialista, acrescentando que essa postura pode ter influência sobre o seu comportamento, resultando em uma tendência à frieza e ao endurecimento emocional, que, em geral, não fazem parte de sua essência.

A falta de tempo e o comportamento mais durão acabam interferindo diretamente na relação dessa mulher com os seus filhos, que, em geral, não enxergam o amor maternal representado pelo cuidado, carinho, atenção etc. Com isso, Ramy acredita que o maior prejuízo está relacionado à ausência materna, já que, assim, os filhos passam um maior tempo sem a presença da mãe e tudo o que ela representa.

"Para eles, existe de fato um sentimento de perda. Perda de companhia, amor e compartilhamento, o que pode promover alguns distúrbios comportamentais e emocionais. Há muitos que acabam se sentindo rejeitados, não amados e não especiais. Isso se reflete no comportamento como um todo, tanto no presente quanto no futuro. O desequilíbrio emocional gerado por essa situação pode determinar uma série de escolhas difíceis no futuro", explica a terapeuta comportamental, afirmando que, no caso das meninas especificamente, pode haver uma interferência na visão do feminino e do que significa ser mulher e mãe.

No entanto, o prejuízo não é apenas para os filhos, a mulher com esse estilo de vida também acaba sofrendo. Segundo a especialista, a "autoculpa" é um problema comum. "Penso que mais difícil do que se fechar para as ‘áreas femininas’ é se sentir culpada por não ter tempo para a casa, para o marido e, especialmente, para os filhos. Muitas mulheres se sentem vítimas de seu próprio ‘sistema de vida workaholic’", destaca.

Segundo a terapeuta grande parte das mulheres-mães workaholic se queixa de perda emocional. "Em minha experiência não encontrei até agora nenhuma que se sentia plenamente feliz, pois sempre trazem a consciência de que profissionalmente são realizadas, mas que nas outras áreas mais pessoais existe um grande ‘buraco’, um vazio não realizado."

Para evitar esses problemas, o equilíbrio é fundamental. Então, o primeiro passo é perceber a necessidade de se dedicar aos diferentes aspectos do dia a dia. "Depois é necessário buscar esse equilíbrio. Por exemplo, observar a carga horária de trabalho e o tempo para se dedicar aos filhos e, assim, priorizar certas necessidades domésticas, como escola, lazer etc. Penso que cada mulher sabe quando a harmonia não acontece, pois as coisas não dão certo, sejam pequenas ou grandes", afirma a especialista.


Quanto aos filhos especificamente, Ramy diz que a mulher precisa sustentar sua opção por se tornar mãe e deixar clara a importância disso na sua vida para si mesma e também para todos que a cercam. "Ser mãe é uma escolha e ainda é a maior realização pessoal para uma mulher que optou por isso!", enfatiza.

Ela também destaca o potencial da mulher em se dedicar a várias atividades. "A mulher é muito capaz de fazer diversas coisas ao mesmo tempo, por isso, é chamada de ‘multifuncional’. Tem a visão mais focada, ampla e profunda do que a do homem, conseguindo ver a parte e o todo. Possui uma grande capacidade de planejamento, por conta de sua visão (parte e todo). Penso que a mulher precisa ser somente ela mesma e deixar de se masculinizar. É uma questão de genética e de desenvolvimento focado na força de ser mulher!", finaliza a terapeuta comportamental.

Por Fernanda Oliveira (MBPress)

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