Alguém falou que era fácil?

Educar é um prazer e um suplício. Para mães obsessivas, como são 99,9% das mães, é difícil que se passe um só dia sem que alguma complexa questão seja formulada na cachola. As questões, evidentemente, vão mudando ao longo dos anos e, com o tempo, a gente percebe que não precisaria ter se preocupado com boa parte delas (“ai meu Deus! Planejei tirar a chupeta da minha filha aos 3 anos e ela já está com 3 anos, um mês e oito dias e eu ainda não tirei!!!!”).

Que diferença isso vai fazer? Mas este “distanciamento histórico” não alivia em nada porque as questões de hoje são sempre as fundamentais. E são tantas as questões! E são tantas as mães falando sobre essas questões! Está todo mundo sempre se perguntando alguma coisa. E mais um tanto de gente se metendo a responder, com base em algum dos milhares de livros, pesquisas, especialistas e saberes técnicos que, paulatinamente, vão soterrando a (um dia célebre) “intuição de mãe”.

Mas, também, como dar ouvidos a uma reles intuição quando já existe até universidade para a formação de pais? Sim, sim. Segundo a Folha Equilíbrio noticiou há algumas semanas, foi criada uma Universidade para pais, na Espanha. Os alunos (pais e mães, no caso) são orientados por “um tutor, que prepara atividades e tarefas de casa, faz avaliações, dá notas e auxilia nos problemas e nas dúvidas, tudo isso para que os pais consigam transmitir aos filhos o que é chamado de recurso educativo”. Não é incrível? Intuição vai virar coisa de curandeiro! Imagine seu filho adolescente jogando na sua cara: “ô mãe, você nem tem o superior completo de maternidade e acha que pode me dizer o que tenho que fazer? Qual a sua fundamentação teórica, afinal, para afirmar que eu preciso estudar? Cadê o seu diploma de mãe?”.

E quem faz terapia (ou seja: 99,9% das 99,9% das mães obsessivas citadas), ainda tem que lidar com a consciência dolorosa (ou ilusão) de que todos os nossos movimentos maternais terão um imenso impacto na saúde emocional de nossos filhos. É bom, porque, assim, a carga aumenta bastante e é esta ilusão de controle que nos faz comprar livros, ler revistas, fazer cursos etc. Imagine se minha avó lá estava preocupada com o que Freud postulou sobre o desenvolvimento da sexualidade das crianças.

Já faz algum tempo que as pesquisas da Uma a Uma vêm mostrando que as mães estão cansadas de tantas regras e teorias. Mas são tão grandes as expectativas que depositamos nos nossos “projetos” (leia-se “filhos”) que relaxar é um grande desafio.

E, para relaxar, sugiro a leitura do incrível texto do Antonio Prata sobre um pai que parecia não estar nem aí para universidades de pais...

Uma a Uma é uma empresa de inteligência de mercado especializada no público feminino. As sócias e colunistas do Vila Mulher, Denise Gallo e Renata Petrovic, ajudam a entender melhor e desvendar as várias faces da mulher contemporânea. Contato: umaauma@umaauma.com.br

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