Alfabetização ecológica nas escolas

Alfabetização ecológica nas escolas

Projeto EcoPilhas. Foto: Arthur Fujii.

Desde o século passado, a preocupação com o meio ambiente só vem crescendo. Afinal, a humanidade tem enfrentado vários problemas decorrentes da falta de consciência ecológica: aumento de doenças respiratórias por causa da poluição, erosão do solo e, como não poderíamos deixar de lembrar, enchentes e deslizamentos causados pela falta de planejamento urbano e pelo acúmulo de lixo em grandes cidades.

Diante de fatos tão alarmantes, o jeito é fazer alguma coisa para diminuir os danos à natureza e, por consequência, aos próprios seres humanos. E nada melhor que mudar a visão de crianças e adolescentes ainda em idade escolar a respeito de temas como a reciclagem e o consumo consciente.

Por isso, algumas instituições de ensino resolveram investir numa alfabetização mais ecológica, ou pelo menos num início desse processo. É o caso do Colégio Módulo, em São Paulo, que implantou um projeto de sustentabilidade no 2° ano do ensino médio profissionalizante em Gestão Empresarial. A ideia surgiu há quatro anos, e tem sido aprimorada há dois. Hoje, o projeto conta com a participação de diversas turmas, desde o Ensino Fundamental. "Nosso objetivo é preparar os estudantes não só para a concorrência do mercado, mas também para a conservação do meio ambiente e a questão social", afirma Franklin Portela, coordenador pedagógico da escola.

A instituição realiza, até o final do mês de maio, o projeto "Eco Pilhas", que visa dar o destino correto ao lixo eletrônico (pilhas, baterias, etc). Nos primeiros 20 dias, alunos de várias séries arrecadaram uma tonelada desse tipo de resíduo. "Observamos que as pessoas da comunidade também se mobilizam quando recebem informação a respeito do lixo eletrônico e suas consequências para o meio ambiente", relata Franklin. O valor proveniente da venda do que é arrecadado é doado para Organizações Não Governamentais (ONGs).

Outra experiência bem sucedida é o projeto "Melhorias no Bairro", realizado por estudantes da segunda série do Ensino Médio do Colégio Paulista, desde o ano passado. A iniciativa veio de um grupo de alunos que resolveu conscientizar os faxineiros de um prédio sobre a importância da reciclagem. Como a ação gerou retorno financeiro, eles gostaram e deram continuidade à proposta. Não demorou muito para a ideia ir parar na escola e se tornar um projeto maior. "Hoje, professores de história, geografia, língua portuguesa e biologia orientam os estudantes, ensinando a teoria e explicando como ações de sustentabilidade podem ser postas em prática", conta Marcos Borges, coordenador pedagógico do Ensino Médio na instituição.

Ambos os projetos trabalharam com alguma recompensa pelas atitudes ecologicamente corretas. Isso funcionou como incentivo para que as ações tivessem sucesso.

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Os dois especialistas concordam que uma alfabetização mais ecológica é essencial para a preservação dos recursos do planeta. "No caso das crianças menores, estamos investindo numa formação e visão de mundo diferente e que vai permanecer com elas por toda a vida", acredita Franklin. Para Marcelo, os adolescentes podem mudar a mentalidade de muitas pessoas que ainda não entenderam que precisamos cuidar melhor da natureza, começando pelos pais. "A conscientização tem acontecido de baixo para cima. Os filhos estão ensinando os pais a não desperdiçar, reciclar. Isso é possível porque os jovens creem que um indivíduo, mesmo sozinho, pode fazer a diferença".


Por Priscilla Nery (MBPress)

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