Álcool e adolescentes, uma relação perigosa

Álcool e adolescentes

A droga mais consumida por adolescentes no Brasil é lícita e aprovada pelos pais: o álcool. Muitas vezes o responsável faz uso desta substância na presença dos filhos menores. Além disso, esta droga tem espaço na televisão, no rádio, nas revistas, jornais e até no cinema.

O álcool é a droga mais usada pelos jovens e serve de porta para as demais. O último Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas, realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) e pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), em 2004, apontou que 54% dos entrevistados, jovens entre 12 e 17 anos de idade, consomem álcool regularmente e, desses, 7% já apresentam dependência. Na faixa etária entre 18 e 24 anos, esse número sobe consideravelmente: 78% já fizeram uso da substância e 19% deles são dependentes.

"Quanto mais cedo os jovens começam a beber, maior será a chance de eles desenvolverem a dependência. Se eles começarem a beber em casa com a família ou em bares com os amigos, não faz diferença", afirma Dr. Maurício de Souza Lima, médico hebiatra da Unidade de Adolescentes do Hospital das Clínicas de São Paulo e Vice-Presidente do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo. No entanto, o especialista ressalta que esta não é uma condição definitiva. Alguns jovens podem iniciar o consumo muito cedo, porém não desenvolver o alcoolismo.

É certo que a bebida em bares com pessoas da mesma idade gera um consumo mais excessivo. "Entre os amigos eles tendem a querer provar que são capazes e corajosos, por isso não medem as consequências de seus atos", afirma o hebiatra. Para o Dr. Maurício a conversa franca e direta é sempre o mais recomendado. "Converse com o seu filho. Quando você estiver, por exemplo, tomando uma taça de vinho, explique a ele que o seu organismo já está formado, por isso aquela quantidade de álcool não fará mal algum ao seu metabolismo. Porém o dele, do adolescente, ainda está em formação, e que mesmo pequenas doses são prejudiciais", ensina o especialista.


Nos últimos dez anos houve um aumento considerável na quantidade e na qualidade das campanhas contra o consumo de bebidas alcoólicaspor menores de 18 anos. Sobre estes anúncios o hebiatra afirma: "Apesar de ser uma forma interessante de informação aos jovens, não é tão eficiente quanto o diálogo com os pais. Use estas campanhas para introduzir o assunto com os adolescentes. Somente conversando você vai saber sobre o comportamento e as opiniões deles."

Álcool e adolescentesÁlcool e adolescentes

Foto: Divulgação

Recentemente uma designer italiana inovou. Ela transformou garrafas de bebidas alcoólicas famosas em mamadeiras com temática infantil. A artista usou marcas como Lego e Nintendo no lugar do nome das bebidas. A intenção da designer era chamar a atenção para o abuso do álcool por mulheres grávidas, adolescentes, além do desinteresse de alguns pais pelos seus filhos.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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