Adolescentes no intercâmbio

Adolescentes no intercâmbio

Beatriz (de azul marinho) com a família que a recebeu no Canadá

Morar por um tempo no exterior, conhecer novas culturas, novas línguas. Fazer o intercâmbio é o sonho de muita gente, especialmente os adolescentes que estão sempre em busca de novidades e de liberdade. Os pais querem oferecer aos filhos essa possibilidade, mas uma viagem como essa traz milhares de preocupações.

A estudante Beatriz Roma, de 17 anos, está no Canadá há cerca de dois meses, estudando inglês. Ela conta que sempre teve o sonho de estudar fora e também estava em busca de desafios. Mesmo com tanta vontade, o apoio dos pais foi muito importante para Beatriz. “Meus pais sempre apoiaram muito as minhas decisões, e eu acho que foi por isso que eu vim tão segura. A saudade sempre aperta, tem dias que você tem vontade de desistir, mas eles sempre me apóiam muito, o que me faz aguentar firme. Eu tenho muitas saudades deles e eles de mim, mas eles estão felizes com a minha felicidade aqui.”

A mãe de Beatriz, a professora Marli Roma confirma o apoio e conta que a ida da filha foi uma decisão muito pensada e discutida entre as duas e o pai. “A vontade de ir partiu dela, quando estava no segundo colegial, e como achamos melhor que ela terminasse o colégio primeiro, tivemos um ano para amadurecer a idéia, pesquisar e pesar os prós e contras e depois desse tempo. Como a Beatriz estava certa que queria viver essa nova experiência, achamos que era o momento de apoiá-la.”

Adolescentes no intercâmbio

Beatriz com amigos do curso de inglês que faz no Canadá e conhecendo o País

O psicólogo Anderson Xavier, que em seu site realiza atendimentos on-line a vários brasileiros que moram fora, explica que quem sai do país normalmente sofre porque sente falta de afeto dos mais próximos, especialmente da família que é a primeira lembrança que a pessoa tem nesse sentido. Porém, ele explica que sofrimento maior mesmo é o enfrentado pela mãe que algumas vezes pode chegar a ter um problema psicológico como ansiedade de separação, por ficar muito insegura com a distância do filho ou filha. “Principalmente no caso de adolescentes, a mãe pode se sentir culpada, porque está deixando o filho ir para um lugar que ela não conhece e não está lá para cuidar. É como se ela deixasse o filho ir para uma ‘ameaça’.”

Marli conta que ficou bastante preocupada com a ida de Beatriz, porém agora que sabe que está tudo bem já se sente mais tranquila. “A princípio minha maior preocupação era quanto a família que ia recebê-la, se iam se dar bem. Depois de saber que o entrosamento foi ótimo, tenho as preocupações normais de toda mãe, se ela está bem de saúde, se está feliz e se está conseguindo se adaptar a nova vida.”

De acordo com o psicólogo, há meios de amenizar a distância e consequentemente a preocupação com quem está longe, o principal é a internet. “Não resolve o problema, mas os filhos podem ver e falar com as famílias com muito mais frequência.”

Marli concorda com Anderson. Para ela saudade existe, mas pode ser amenizada “É claro que a saudade é imensa, é a primeira vez que passamos pela experiência de ter um filho estudando fora, mas hoje em dia, com os recursos da tecnologia, procuramos abrandar essa saudade falando por rádio, usando o computador, onde conseguimos vê-la através da câmera, o que nos faz sentir mais perto.


Para a professora, a experiência e a distância já estão valendo a pena, pois os frutos já começaram a ser colhidos. Ela conta que a filha já tem demonstrado estar muito mais independente e responsável com os estudos , além da certeza que a experiência será muito importante para a vida profissional de Beatriz.

Por Larissa Alvarez

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