Aceitando a orientação sexual dos filhos

Aceitando a orientação sexual dos filhos

Foto: divulgação

Muito se ouve falar sobre homossexualidade nos dias de hoje, principalmente depois que celebridades e formadores de opinião resolveram assumir a opção. O tema ficou mais recorrente, mais fácil de ser comentado. Porém, a relação dos homossexuais com a família ainda é um tema pouco explorado - e cheio de dificuldade.

Talvez esse relativo silêncio torne tudo ainda mais difícil para os pais de gays e lésbicas. Eles, no geral, se sentem perdidos quando a prole revela a orientação sexual diferente da encarada como "normal". "Os pais ficam desorientados, infelizes, desesperados, porque ninguém foi preparado pra ter filhos homossexuais", diz a professora universitária Edith Modesto, presidente da Associação Brasileira de Pais e Mães de Homossexuais (GPH) e autora do livro "Mãe sempre sabe? - Mitos e Verdades sobre Pais e Seus Filhos Homossexuais" (Record, 2008).

A ONG existe desde 1999. Foi fundada pela própria Edith, que descobriu que seu filho caçula era gay sete anos antes. Na época, a professora se sentiu melhor com a situação por ter conversado com outras mães. Ao perceber que muitos pais sofriam com a descoberta de ter um filho que sente atração por pessoas do mesmo sexo, resolveu criar a organização, de início chamada Grupo de Pais de Homossexuais - daí a sigla GPH.

A ideia deu certo e hoje a associação se expandiu. "O objetivo do GPH é a ajuda mútua entre pais que têm filhos homossexuais para que aceitem seus filhos e a família seja feliz. Como é a única ONG que trabalha com esse objetivo, e tem crescido muito, penso que deve ter valor para as pessoas", conta a presidente.

Se uma criança ou adolescente que descobre e resolve contar que é homossexual já tem muitas dificuldades para fazer isso, os pais e familiares mais próximos sentem, da mesma forma, dificuldades para entender a situação. Por isso, para Edith, é bom adquirir mais conhecimento sobre a diversidade de orientação sexual. "Além disso, conversar com outros pais na mesma situação também é ótimo. Por isso o trabalho da nossa ONG é importante", garante.

Uma das preocupações dos pais é que o filho gay ou filha lésbica seja alvo de preconceito na maioria dos ambientes tradicionais que frequentar. Então, a orientação do pai e da mãe é imprescindível para que a criança, adolescente ou até o adulto sofra menos. E não existe um jeito "certo" para fazer isso. "Os indivíduos não são iguais, as dinâmicas familiares também não. Temos de ver caso a caso o que será melhor fazer. De modo geral, o acolhimento e solidariedade sempre são a base de tudo", diz a professora.

De acordo com Edith, após conversas com outros pais de homossexuais, homens e mulheres que antes estavam tristes, aos poucos, restabelecem a convivência harmoniosa com seus filhos. Aliás, ela mesma passou pela experiência e hoje se sente em paz. "Agora, ter um filho homossexual é como ter um filho heterossexual. Há um processo em que a mãe estranha muito, mas acaba aceitando o filho como é, porque o ama".

Então, se você tem um filho homossexual ou mesmo suspeita de que ele se interesse por pessoas do mesmo sexo, o segredo é acolher para que ele ou ela esteja sempre próximo de você. Lembre-se que é seu filho, independente de sua opinião sobre a homossexualidade. Com amor e cuidado, vocês podem ter um bom relacionamento.


A GPH atualmente conta com seis "mães facilitadoras" capacitadas para conversar com mães e pais pelo Brasil (Rio de Janeiro, Minas, Santa Catarina e São Paulo). É um grupo fechado para pais de homossexuais, e a presidente garante que todas as informações e experiências compartilhadas são confidenciais. Quem quiser entrar em contato pode ligar (11) 3031 2106 ou 3031 2106 ou ainda mandar um e-mail para o endereço: maes-de-homos@uol.com.br.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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