Abusos por ginecologistas: cuidados a serem tomados

Abusos por ginecologistas cuidados a serem tomados

Foto: Hero Images/Corbis

Casos de abusos sexuais volta e meia ganham as manchetes dos jornais. Antes quem mais cometia esses atos era uma pessoa próxima, como pai, tio, padrasto e amigos da família. Só que, recentemente, as denúncias têm partido de mulheres que se consultam com ginecologistas.

Foi o que aconteceu com uma adolescente de apenas 15 anos, que estava internada por causa de uma infecção urinária, e acabou sendo abusada sexualmente pelo ginecologista Itamar Cristino de Figueiredo, de 65 anos. O médico nega as acusações feitas pela menina.

Em 2012, o médico Rogério Pedreiro, de 48 anos, foi preso acusado de abusar de 10 pacientes em seu consultório localizado na zona sul de São Paulo. Uma delas revelou que sofria com as práticas há oito anos. Outro caso que ganhou grande repercussão foi o do especialista em reprodução Roger Abdelmassih, preso em 2009 e acusado de cometer mais de 50 crimes sexuais.

Com tantas notícias sobre abusos as mães ficam com receio de levar suas filhas ao ginecologista. Nessas horas, uma conversa é sempre é bem-vinda. "Esta deve acontecer num clima tranquilo, sem pressa, com a mãe esclarecendo todas as dúvidas que a filha possa ter", orienta Olga Tessari, psicóloga e psicoterapeuta. "O mais importante é explicar detalhadamente como é esse procedimento médico, alertar a filha para que ela reaja ou reclame, caso o médico extrapole ou faça um procedimento diferente do usual."

Sempre após qualquer consulta a mãe deve conversar com a filha e saber as impressões que ela teve e o que sentiu. O relato da paciente pode colaborar para que a mãe perceba se a conduta do médico foi ética e adequada à situação.

Segundo Olga, as mães devem acompanhar suas filhas, principalmente nas primeiras consultas e nos exames, e nunca deixar que elas fiquem sozinhas com os médicos. "Um bom profissional sempre tem ao seu lado uma enfermeira que o auxilia nos procedimentos. A presença dela inibe qualquer abuso e também resguarda a imagem do médico", lembra. E pontua: "No caso de não haver nenhuma enfermeira, a mãe deve ficar ao lado da filha, mas sem invadir a privacidade dela."


Há casos em que a filha se sente constrangida com a presença da mãe durante os exames. Nesse caso, a psicóloga sugere respeitar a decisão da filha. "Mas se a mãe tiver uma boa conversa com a filha bem antes da primeira consulta com o ginecologista, explicando porque ela gostaria de estar presente durante os exames, certamente a filha se sentirá muito mais segura com a presença dela ao seu lado", pensa.

E lembre-se: um bom médico não se incomodará com a presença da mãe. "Mas se o profissional insistir que a menina fique sozinha, a mãe deve questioná-lo sobre os motivos pelos quais não pode acompanhar a filha", finaliza a psicóloga.

Marisa Walsick (MBPress)

Comente