A relação entre pais e crianças autistas

A relação entre pais e crianças autistas

Foto: Divulgação

Dia 02 de abril foi instituído pela ONU o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. O intuito é conscientizar as pessoas sobre as reais limitações e necessidades dos portadores deste transtorno, não só isso, também lembrar que a família é peça-chave na vida de crianças autistas.

A psicóloga e psicanalista Claudia Barroso, do Bem-Me-Care - SOS Family, afirma que o diagnóstico nem sempre é bem aceito pelos pais. Muitos casais têm dificuldade em admitir que o filho é portador de um transtorno. Antes mesmo da própria gravidez, a criança já é sonhada pelos pais.

Sonia Pires, integrante do Bem-Me-Care - SOS Family e colega de Claudia Barroso, afirma que os pais criam fantasias como: "terá os olhos da mãe", "as mãozinhas e pezinhos serão como os do pai" ou "será tranquilo como a mãe", que vão servindo como material para a construção de um lugar psíquico para esta criança. "Quando ela chega e os pais começam a perceber que ela não consegue utilizar esse ‘enxoval psíquico’, pois a criança tem um olhar vago, não responde aos estímulos e não se interessa pelo contato físico, entre outras coisas, a primeira reação é de negação", afirma Claudia Barroso.

É importante saber que os pais e os familiares têm um papel extremamente importante na detecção do diagnóstico, isso porque o autismo afeta diretamente a relação entre a criança e o mundo. "São eles que poderão contar para o pediatra o que percebem de diferente nas reações cotidianas de seu filho. Quanto antes o diagnóstico for concluído mais chances a criança terá de vencer muitos dos limites", afirma Sonia Pires.

Uma criança autista, dependendo do grau da doença, necessita de cuidados especiais em tempo integral. Quando a família é pega de surpresa é comum que um membro, mas frequentemente a mãe, se torne a responsável pelos cuidados com a criança. Esta pessoa é conhecida como "familiar cuidador profissional". A psicóloga afirma: "As atividades são tão intensas e desgastantes que pode acontecer uma sobrecarga e levar a uma síndrome chamada "Burnout" ou síndrome do esgotamento profissional."

Para que o processo de adaptação seja mais fácil para todos os membros da família algumas atitudes são necessárias. O enfrentamento da situação por todos da família, ao invés de sobrecarga em um único membro, é o primeiro passo. Claudia opina: "Este enfrentamento passa pelo reconhecimento de sentimentos como raiva, decepção, preconceito, desconhecimento e medo. Ficar cristalizado na negação não ajudará muito". "A família necessitará de ajuda para desenvolver suas próprias ferramentas psíquicas de enfrentamento da situação", completa.

A psicóloga afirma que não existe um autista igual ao outro. Este é um transtorno que atinge diretamente a capacidade de aprender, que por sua vez está ligada à capacidade de relacionar-se. Cada um é único em suas dificuldades e potencialidades e, por isso, merecem e devem ter um lugar único e pavimentado especialmente para ele.


Na hora de escolher o local em que a criança autista estudará será necessário avaliar o grau de comprometimento da doença. "Sempre que possível é melhor que a criança possa ter contato com o mundo de forma geral, mas é preciso reconhecer seus limites para que isso não seja mais um desgaste para ela", recomenda a psicopedagoga.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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